quarta-feira, fevereiro 21, 2007

A protecção papal a Santa Cruz de Coimbra

A consolidação da vida regrante em Coimbra não foi fácil, atendendo ao que atrás se disse sobre as rivalidades com o bispo Bernardo.

Para escaparem ás suas manobras, os regrantes enviam a Roma uma delegação, para pedir a protecção do Papa Inocêncio II, não hesitando fazer uso dos meios materiais que possuíam.

Inocêncio II estava em Pisa, impedido de regressar a Roma pelo cisma de Anacleto*, são recebidos por Guido de Vico, cardeal que conhecia os assuntos da Península Ibérica e que assumiria ainda papel de muito relevo em muitas querelas que por aí se passavam.

Obtiveram o que pretendiam, a concessão de bulas em que o Papa recomendou os cónego regrantes de Santa Cruz, ao príncipe D.Afonso e ao próprio bispo, concedendo-lhes a protecção papal e a isenção canónica, que mais tarde viram a ser ainda mais desenvolvidas no pontificado de Alexandre III.

A delegação ao papa, teria seria composta no mínimo por 4 pessoas, onde se destacavam o arcediago Telo, o impulsionador da ideia da fundação do Mosteiro e João Peculiar, antigo mestre-escola da Catedral de Coimbra.

Sempre aplicaram bem as receitas que obtinham estes cónegos de Santa Cruz.

Esta deslocação (sabe se lá se teriam "oleado bem as influências"), foi dinheiro bem aplicado.

Muitas viagens aos locais certos, chamar-se-ia hoje fazer lobbying.Compostela, Burgos, Avinhão, sempre presente nos locais certos


*-Breve nota sobre o Cisma de Anacleto
Em 1130, quando são eleitos dois papas para suceder a Honório II: Inocêncio II (apoiado pelo imperador) e Anacleto I (pelos duques adversários do Império).

É o cisma de Anacleto. Na disputa entre os dois, o duque normando Rogério II obtém do antipapa Anacleto a coroa da Sicília e, em troca, combate Inocêncio II, que derrota, aprisiona e obriga a também reconhecê-lo como rei.

Com a morte de Anacleto, Inocêncio II deixa a França onde se havia refugiado e retorna a Roma, onde convoca o Concílio Ecuménico II de Latrão.

É 1139. Dois anos antes, os príncipes e prelados alemães haviam elogiado Conrado de Hohenstaufen, Duque da Suábia, para assumir o trono do Império Romano-Germânico, dando início à dinastia dos Hohenstaufen, que governaria por mais de um século.


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