domingo, março 04, 2007

A batalha de Ourique-A aclamação

A importância que a historiografia deu a esta batalha, pelo menos até meados do século XIX, deveu-se ao facto de a ela estar associada a aclamação de D.Afonso Henriques como rei de Portugal, já que esse título aparece pela primeira vez num documento, bem datado, a 10 de Abril de 1140.

Outros de datação menos segura podem apontar para outras datas, mas uma coisa é certa, não foi encontrado nenhum documento autêntico que atribua o título de rei a D.Afonso Henrique anterior a 25 de Julho de 1139 dia em que se deu a batalha.

Não deve contudo considerar-se essa alteração significativa em termos de independência, a mudança operada no foro interno a passagem de condado a reino, pouco alterava a situação de dependência face a Afonso VII.

A atribuição do título de rei foi pois um momento importante sob o aspecto pessoal, mas não significou mais do que mostrar a vontade de ser independente.

A batalha de Ourique começou a assumir o seu carácter lendário, aparecendo pela primeira vez no princípio do sec XIV na Crónica Galego-Portuguesa de Espanha e Portugal.

Começa-se a esboçar a lenda de Ourique:batalha travada contra numerosa força de cinco reis mouros e ganha ou pela força da protecção divina (versão clerical) ou pela valentia dos cavaleiros (versão nobiliárquica).

As fontes árabes silenciam-na, assim como as crónicas castelhanas, omissão que tem sido interpretada como indício seguro de que o confronto, apenas reduzido a uma memória regional, nunca terá tido as dimensões que os textos de Coimbra mais tarde lhe atribuíram.

Na sequência de Alexandre Herculano, admite-se hoje que Ourique tenha consistido num simples fossado, ainda que se conceba que nele pudessem estar envolvidas forças de algumas importantes cidades islâmicas chefiadas pelo respectivo governador ou alcaide, atendendo a que, em 1139, desde Abril, Afonso VII cercava a praça moura de Oreja, motivando a mobilização de tropas provenientes de todo o al-Andalus, podendo ter sido um dos seus contingentes aquele que foi derrotado em Ourique.

É nesta linha que os "modernos" defensores da possibilidade da batalha de Ourique se ter travado mesmo no Alentejo, em traços gerais
  • concentração de exércitos mouros coligados defendendo Oreja, enfraqueceriam as forças no litoral peninsular.
  • durante mais de um mês, as forças de Afonso Henriques, atravessando o Tejo fora das linhas almorávidas, atacaram povoações menos bem defendidas, chegando até a Andaluzia.
  • O governado de Córdova terá reunido algumas tropas, tentando eliminar os atacantes, tendo então sido vencido na campina de Ourique.

2 comentários:

Anónimo disse...

Já no século XII há referências à batalha de Ourique, e em termos que atestam a sua importância (Anais do rei D. Afonso henriques, Vida de D. Teotónio,etc.). As referências mais antigas a que foi na sua sequência que AH se tornou rei são do século XIII. O que é tardio é o milagre, que só aparece registado no século XV.

Rogério Maciel disse...

"...As fontes árabes silenciam-na, assim como as crónicas castelhanas, omissão que tem sido interpretada como indício seguro de que o confronto, apenas reduzido a uma memória regional, nunca terá tido as dimensões que os textos de Coimbra mais tarde lhe atribuíram...."

Inverdade...para não dizêr outra coisa.

«ICONOGRAFIA: Don Alfonso Enriquez es proclamado Rey de Portugal por sus soldados (Ano 1139) - Fonte: Portfolio de Historia de Espanã : Casa Editorial SEGUI - Pint. F. Mota.



Rendida, al fin, la fortaleza de Aurelia por Alfonso VII, a condición de que se permitisse a los sitiados retirarse a Calatrava, em febrero de 1139 pasó este a Carrioón y alli recibió la visita del conde de Barcelona Berenguer IV, el cual iba acompañado de los nobles de más relieve de su país. No se ocultaba a Berenguer lo útil de la amistad con el monarca castellano, si había de aumentar sus Estados de Aragón, y con gran tino comenzó a poner en práctica sus proyectos, logrando firmar un tratado contra el rey de Navarra, mediante el cual el emperador se quedaria con la Rioja y los territorios de esta parte del Ebro, y el conde de Barcelona con las tierras de Aragón. De este modo, repartianse ambos las posesiones de otro reino sin haber mediado declaración alguna de guerra, pues fiados en que eran lo más fuertes, dieron, equivocadamente, por seguro el triunfo. Así las cosas, el audaz príncipe Alfonso Enríquez luchaba contra los musulmanos de Portugal y obtenia una gran victoria en la célebre batalla de Ourique, en la que suónese que derrotó a cinco caudillos moros, y de tal modo creció su fama, que entusiasmadas las tropas lo aclamaron rey de Portugal. Ambicioso Enriquez, ya que todas sus aspiraciones las cifraba en obtener su independencia, sin respeto al tratado que habia firmado en Túy con Alfonso VII de Castilla, por el que estaba muy lejos de conceder la expressada independencia portuguesa, aceptó la aclamación...»