segunda-feira, julho 02, 2007

Mercenários conquistam Beja-1162

(torre de menagem do castelo de Beja)

Como nota de abertura , uma passagem duma entrevista de José Mattoso, por certo um dos maiores investigadores medievais e em especial da vida e acção do nosso caudilho (sic) D.Afonso Henriques. Diz ele à agência Lusa

"Santarém é conquistada pelo assalto por surpresa de um pequeno bando; em Lisboa, se não fossem os cruzados, não haveria conquista; Alcácer do Sal é assaltado várias vezes, entre elas por um pequeno grupo de cavaleiros vilãos que nem tinham armadura; Évora foi conquistada por Geraldo Sem Pavor com um grupo de 'latrones', isto é, por um bando de mercenários que agiam por conta própria ou se podiam pôr a serviço de quem os recrutasse; também foram eles que conquistaram Beja".

O fenómeno mercenário, não é pois uma invenção do século XX. Já acontecia 800 antes, grupos de pessoas oferecerem os seus préstimos por dinheiro ou outro tipo de benesses, sem qualquer intuito patriótico ou nacionalista, conceito aliás muito ténue em 1159.


Muito embora Mattoso não faça menção a uma tomada de Beja em 1159, alguns autores assinalam-na, considerando o dia 30 de Novembro de 1162, como a data da sua reconquista.


Pode realmente ter acontecido essa incursão em 1159, já que também era hábito, em certas ocasiões, que essas conquistas, não tivessem outro objectivo, que o de um mero saque, chegando por vezes os "conquistadores" a permanecer na cidade durante algum tempo, enquanto existirem víveres e nos campos em redor, depois despovoarem-na a arrasarem as muralhas, sem se preocuparem com as consequência militares da expedição.


Se assim aconteceu em 1162, tendo por ali permanecido durante cerca de 4 meses, porque não admitir que o mesmo tenha acontecido igualmente em 1159 ?

Geraldo Geraldes, teria sido anteriormente um cavaleiro-vilão de Santarém, antes de formar o seu próprio grupo mercenário, terá negociado com D.Afonso Henriques a posse de Évora, como veremos adiante, antes de vir a pôr-se ao serviço do emir de Marrocos.

Não foi contudo caso único na época, o "rei" de Valência Ibn Mardanish, chefia grupos cristãos atacando almóadas, enquanto pagava tributo a Castela pela sua liberdade de acção.

Fernão Castro mordomo de Fernando II abandonou a corte leonesa para viver algum tempo da guerra ao lado dos almóadas sevilhanos.

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