Segunda-feira, Agosto 25, 2008

Alguma reflexão sobre o cerco a Guimarães(1127)

Que o cerco a Guimarães, por Afonso VII, é uma acção punitiva pela parte deste contra sua tia D. Teresa, pelas acções bélicas de contestação sobre os seus domínios que havia sido negociados em Ricovado, aproveitando as quezílias entre o rei de Leão e Afonso de Aragão.

Uma vez resolvido esse problema Afonso VII ruma a Guimarães, para punir sua tia desavinda e tirar desforço dos ataques ás seus domínios na Galiza.

Escolhe Guimarães, provavelmente por ser a sede do condado, onde seguramente D.Teresa não se encontrava, para uns encontrava-se em Coimbra, para outros no Porto, onde a avaliar pelos registos da época se encontrava no fim do Verão de 1127, pois a carta de doação e feudo da igreja de S.Fausto da Régua a D.Hugo bispo dessa sede data de 3 de Setembro.

Mantém-se contudo o mistério sobre as razões que poderão ter levado D.Afonso a não querer levar esta acção punitiva a efeito, num dos locais onde D.Teresa podia ser encontrada.

Não restam dúvidas que após o cerco a Guimarães, Afonso Henriques acompanhou o seu primo a Santiago de Compostela, como se atesta pela confirmação dum privilégio concedido pelo seu primo, que coloca uma interpretação assaz pertinente, que resulta na demarcação óbvia que o jovem infante de Portugal, faz dos crimes de "traição" cometidos por sua mãe, ao ter-se rebelado contra o seu sobrinho rei de Leão e Castela, que não se esqueça envolvia igualmente a Galiza e naturalmente o condado Portucalense.

Muita coisa continua por se perceber, já que as consequências práticas desse acto acabaram por ser nulas, já que D.Teresa rapidamente se apazigua com o seu sobrinho, reassumindo a legitimidade sobre o governo ds seus domínios

Quinta-feira, Maio 29, 2008

A perspectiva mística da Batalha de S.Mamede

A batalha de S.Mamede decorreu no dia de S.João Baptista de 1128 e viria a provocar uma mudança política decisiva. O santo que nesse dia se venerava anunciara a vinda de Cristo, e a coincidência da data parecia agora proclamar o aparecimento dum novo reino, destinado a tomar na cristandade um lugar de relevo.

Era esta dum modo geral a perspectiva do cónego regrante de Santa Cruz de Coimbra que registou cuidadosamente essa festa litúrgica, colocando-a na órbita das intervenções divinas.

Como se o aparecimento deste jovem cavaleiro enviado de Deus, servisse para punir os adúlteros incestuosos no poder, que não aceitavam as recomendações da Igreja, sobre o casamento

Quinta-feira, Maio 08, 2008

Um esclarecimento

Longe de estar acabado este blogue, dedicado ao nosso rei fundador, que abrangerá, como é proposta geral de todo este trabalho, os factos mais importantes ocorridos durante a vigência do seu reinado,

Posto isto, devo informar que, a primeira parte desta aventura acabou, no que aos aspectos principais do reinado do Conquistador aconteceram

Seguir-se-ão intercalações de outros pequenos factos nas respectivas datas, pelo que sugiro que a sequência a seguir na leitura do que aqui vai sendo dito, deva ser feita utilizando as etiquetas laterais, pois ali se enquadram os factos devidamente, muito mais que o seguimento simples das postagens, desordenadas na sua sequência e que ainda mais se irá acentuar no futuro

Sábado, Março 15, 2008

Restauração das dioceses de Viseu e Lamego

Restauração por D.Afonso Henriques a conselho de D.João Peculiar arcebispo de Braga, das diocese de Lisboa,

Gilberto e Hastings-bispo de Lisboa

de Viseu

Mudando frequentemente de mãos, ora em poder de cristãos, ora de maometanos, apenas no ano 1058 a cidade de Viseu, graças à arremetida vitoriosa de Fernando Magno, rei de Leão, logrou recuperar, definitivamente, a sua liberdade. Mas tão desmantelada ficou , foram tão fundas as feridas da rude ofensiva leonesa, que somente em 1147/1148- cem anos após a reconquista...- estava a Diocese em condições de sustentar bispo próprio.

Durante tão longo interregno pontifical, foi a Dioceses governada pelos Bispos de Coimbra, por intermédio de Priores, o mais célebre dos quais, pelas suas virtudes foi S. Teotónio, patrono actual da Cidade.



e Lamego,

O primeiro prelado foi D. Mendo, que assistiu ao concílio provincial celebrado em Braga, nesse ano. A diocese de Lamego tem a particularidade da cidade da sua sede não constituir capital do distrito, sendo o único caso em Portugal onde isto acontece

pertencentes outrora à metrópole de Mérida e portanto seriam sufragâneas de Santiago de Compostela.

Os bispos foram sagrados pelo arcebispo de Braga o que suscitou o protesto de Afonso VII, junto da cúria romana.

  • Nascimento de D.Urraca 2ª filha legítima de D.Afonso Henriques e D.Mafalda
Futura Rainha de Leão pelo seu casamento com Fernando II

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Outros acontecimentos fora de Portugal
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  • Conquista de Tortosa pelos Aragoneses.Raimundo Berenguer IV reconquista Tortosa.
Após 1137, quando ocorreu a união dinástica de Catalunha e Aragão, Ramon Berenguer IV, conquistou os últimos redutos árabes taifes de Lleida e Tortosa e Siurana, entre os anos 1148 e 1153.

  • Concílio de Verona- estabelece que soberanos devem empenhar-se,ao lado da lei civil e canonica,para extermínio da heresia sob pena de excomunhão.
Henrique de Lausanne,ou o"Eremita"acusado de heresia pelo concilio de Reims, foi condenado a prisão perpetua por Eugénio III.

Arnaldo de Brescia reconciliou-se por um curto período com a Igreja no Papado de Eugénio III, mas foi excomungado em 1148.

Foi um reformador da Igreja Católica e líder do movimento que pretendia ver reduzido o poder temporal do clero e reforçado o poder municipal contra o poder episcopal.

Liderou o movimento popular na cidade e participou nos acontecimentos que culminaram no estabelecimento da Comuna de Roma.

Foi aprisionado pelas forças de Frederico Barba ruiva às ordens do Papa Adriano IV e enforcado.

A figura de Arnaldo foi redescoberta pelos jansenistas lombardos do século XVIII e assumiu durante as lutas liberais do século XIX papel de destaque como exemplo do livre pensador

Sábado, Fevereiro 16, 2008

Fundação do Mosteiro de S.Vicente de Fora(1147)

O ano de 1147 corresponde a um ano de grande feitos e glória para D.Afonso Henriques desde logo pelo tomada da praça de Santarém

A conquista de Santarém

Da Conquista de Santarém extraído da "Crónica de D.Alfonso Henriquez"se pode concluír que Santarém tenha sido doado aos cavaleiros Templários

"Em nome da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Eu, Afonso, por graça de Deus Rei dos Portugueses, começando minha jornada para o castelo de Santarém, fiz voto que se Deus mo concedesse lhe ofereceria todo o direito eclesiástico e aos cavaleiros e demais religiosos dos Templários que me acompanharam nesta empresa [...]. Portanto, eu, D. Afonso, com a minha mulher, a rainha D. Mafalda, fazemos Doaçao aos cavaleiros de todo o direito eclesiástico de Santarém para que o tenham e possuam, assim como seus sucessores para sempre [...]"


Como logo de seguida no mesmo ano a conquista de Lisboa

A conquista de Lisboa-A negociação
A conquista de Lisboa-As hostilidades
A conquista de Lisboa-A rendição

Gilberto Hastings-Bispo de Lisboa
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Outros acontecimentos em Portugal
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  • Março,05-Nasce D. Henrique, 1º filho do seu casamento com D.Mafalda mas que morreu jovem, com apenas 8 anos
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  • Novembro-Fundação do mosteiro de S.Vicente de Fora
O Mosteiro de S. Vicente de Fora foi fundado em 1147 por D. Afonso Henriques , em cumprimento de um voto dirigido ao Mártir São Vicente pelo sucesso da conquista de Lisboa aos mouros. Doado aos cónegos regrantes de Santo Agostinho.

A igreja e convento maneiristas construídos no século XVI, segundo projecto de Filippo Terzi, substituirá este velho mosteiro

Hoje o Mosteiro São Vicente de Fora é, sem dúvida, um dos monumentos mais impressionantes e marcantes da urbe Lisboeta, não só pelo seu significado artístico mas sobretudo pela forma como se impõe com as suas proporções grandiosas, dominando a cidade e o Tejo. Desde Novembro de 1998 estão instalados aí os Serviços do Patriarcado de Lisboa Do amplo terraço da cobertura disfruta-se um dos mais belos e vastos panoramas sobre Lisboa.

Terça-feira, Janeiro 29, 2008

Cistercienses em Portugal(1144)

  • Os cistercienses instalam-se em Portugal

A Ordem de Cister, fundada em 1098 por S. Roberto, defendia um regresso à pureza e ao despojamento originais do cristianismo, através de uma reforma profunda da organização e vivência monásticas.

Sob a direcção de Bernardo de Claraval, a ordem chegou a Portugal em 1144, data da fundação do Convento de S. João de Tarouca.

O Mosteiro de S. João de Tarouca é um dos mais interessantes de toda a região do Douro Sul.

Está classificado Monumento Nacional. A Igreja foi reconstruída no sec. XVI e dessa época guarda valiosos tesouros, entre os quais se destacam os dez belíssimos altares de traça renascentista, o quadro de S. Pedro, os painéis de azulejo alusivos à fundação do Mosteiro e as esculturas.

O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas é outra jóia da arquitectura românica, estritamente ligada aos primeiros tempos da fundação da Nacionalidade.

Num rápido crescimento motivado pela protecção régia de que gozava, e que via nos monges de Císter um meio ideal de fortalecer a fixação e o povoamento de um território ainda em formação, a ordem chegou a ter mais de trinta mosteiros em Portugal, alguns deles riquíssimos testemunhos da produção artística nacional ao longo de vários séculos.

Outros acontecimentos em Portugal
  • Abril,30-A aceitação papal da homenagem de D.Afonso Henriques
Já feita depois da morte do papa Celestino II, pelo novo papa Lúcio II, eu muito embora aceite o censo anual prometido, mas concede apenas o título de dux a D.Afonso Henriques

Ler mais clicando abaixo

Devontionem tuam-A resposta do Papa
  • Ataque muçulmano a Soure
Lê-se na Vida de S. Martinho de Soure, escrita por um monge do séc. XIII, que era um homem de grande coração e muito querido dos seus paroquianos.

Segundo o cronista, em 1144, o governador de Santarém Abu-Zakaria ocupou Soure, que destruiu e levou cativa parte da população para Santarém

Soure-O último ataque muçulmano

Outros acontecimentos fora de Portugal
  • Março,08-Morte do 166º Papa Celestino II, substituído por Lúcio II
Era conhecido pelo apelido carinhoso de "trabalhador de Deus" e sempre que empreendia uma viajem pastoral pela província romana, os populares diziam "lá vai a águia sobrevoar seu o planalto em volta de seu ninho". Editou uma colecção de ordenações que mais tarde seriam úteis para classificar os pontífices que foram seus antecessores e os seus póstumos.

Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

Concessão do foral a Penela(1137)

Acontecimentos em Portugal
  • Concessão do foral de Penela
Penela recebe o seu primeiro foral, atribuído por D. Afonso Henriques, em 1137.
Dois anos depois, em 1139, D. Afonso Henriques terá participado no fossado da Ladeia (designação da região entre Penela e Ansião) e, cinco anos depois, em 1142, D. Afonso Henriques cria outro concelho a cerca de 5 km de Penela, num dos montes Germanelos, onde constrói um castelo
.

A primeira referência escrita a Penela porém, data do ano de 1087 e surge no testamento do Conde D. Sesinando. Naquele documento, o que foi o primeiro governador de Coimbra após a reconquista definitiva da cidade, diz ter “povoado o castelo de Penela”.

  • Destruição do Castelo de Leiria
Existe alguma controvérsia acerca das datas da destruição pelos mouros do castelo em Leiria que havia sido construído em 1135.

Algumas notas podem ser revistas na postagem seguinte


A destruição do castelo de Leiria-19
  • Julho,04-Paz de Tui assinada entre D.Afonso Henriques e D.Afonso VII
Assinado entre D.Afonso Henriques e D.Afonso VII, foi um acordo de ordem feudal em que D.Afonso VII considerou seu primo como vassalo de origem regia, que reforçaria o seu titulo de imperador. Para além da devolução de tudo o que havia conquistado comprometeu-se a não mais atacar nem nenhum dos seus homens, territórios na Galiza que reclamava como herança de sua mãe.

Ver mais na postagem seguinte


O pacto de Tui-17

Acontecimentos fora de Portugal
  • Aragão-Morte do rei Ramiro II sucedendo-lhe Petronilha
Ramiro o monge que tinha herdado a coroa após quase 40 anos de convento e que por dispensa do Papa se havia casado com a filha dos condes de Poitiers, tivera uma filha de nome Petronilha a favor de quem abdicou da coroa de Aragão, quando ela contava apenas 2 anos, depois de a ter casado com Ramon Berenguer conde de Barcelona e que ficou a governar em nome da jovem Rainha.
  • França-Morte de Luís VI o Gordo sucedendo-lhe seu filho Luís VII
Rei capetíngio, nascido em Paris, cuja dedicação à ordem e à justiça, tornou muito popular com as classes médias e o clero. Firmemente estabeleceu sua autoridade dentro do domínio real, suprimindo a violência dos fora da lei e castigando os malfeitores.

Continuou a política paterna contrária a presença inglesa na Normandia e esteve quase que continuamente em guerra com Henrique I.
  • Dezembro, 13-Sacro Império Germânico-Morte do Imperador Lotário II
No regresso à Alemanha das campanhas de Itália , morre durante a viagem ainda no Tirol. Após a morte de Lotário, chega finalmente a vez da casa dos Hohenstaufen.

Conrado será eleito (1138) rei da Germânia, elevando a casa de Stauf à realeza, governando como Conrado III.

Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

Concílio de Pisa(1135)

Acontecimentos em Portugal
  • Maio, 26-Bula da protecção papal a Santa Cruz de Coimbra
A protecção papal a Santa Cruz de Coimbra-15
  • Dezembro,10-Construção do Castelo de Leiria
Coimbra e a sua defesa-18

Acontecimentos fora de Portugal

  • Maio,30-Concílio de Pisa
O papa Alexandre III abre solenemente este concílio em Pisa, a que assistiram mais de 100 bispos, para confirmar decretos relacionados com a reforma da Igreja, pretendendo também fazer naquela reunião uma demonstração de força de forma desautorizar o anti-papa Anacleto II.

-Breve nota sobre o Cisma de Anacleto
Em 1130, quando são eleitos dois papas para suceder a Honório II: Inocêncio II (apoiado pelo imperador) e Anacleto II (pelos duques adversários do Império).

É o cisma de Anacleto. Na disputa entre os dois, o duque normando Rogério II obtém do antipapa Anacleto a coroa da Sicília e, em troca, combate Inocêncio II, que derrota, aprisiona e obriga a também reconhecê-lo como rei.

Com a morte de Anacleto, Inocêncio II deixa a França onde se havia refugiado e retorna a Roma, onde convoca o Concílio Ecuménico II de Latrão.

É 1139. Dois anos antes, os príncipes e prelados alemães haviam elogiado Conrado de Hohenstaufen, Duque da Suábia, para assumir o trono do Império Romano-Germânico, dando início à dinastia dos Hohenstaufen, que governaria por mais de um século.

  • Maio, 26-Afonso VII faz-se coroar Imperador de Espanha em Burgos
Afonso VII-Imperador-16
  • Inglaterra-Dezembro,01-Henrique I morre na Normandia de intoxicação alimentar(lampreias estragadas).
Aspiram à sucessão a filha Matilde, um filho ilegítimo Roberto, conde de Gloucester e os sobrinhos Teobaldo e Estevão de Blois. Teobaldo recebe a homenagem dos vassalos, na Normandia, mas com um movimento de surpresa Estevão desembarca em Inglaterra e faz-se coroar em Winchester.

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Introdução da regra de Sto Agostinho(1134)

Acontecimentos em Portugal
  • Destruição do Castelo de Celmes por Afonso VII
  • Introdução da regra de Santo Agostinho, na comunidade de Grijó, que foi a primeira duma longa série de mosteiros de Entre Douro e Minho.

Acontecimentos fora de Portugal
  • Aragão-Setembro,11-Afonso I de Aragão morre deixando o seu reino a ordens militares, porém sucede-lhe o seu irmão, Ramiro II o Monge.
Vendo-se sem filhos Afonso I rei de Navarra e Aragão, coroas que estavam unidas há 50 anos,no seu testamento de 1131, ratificado alguns tempo depois, declarou herdeiros e sucessores dos seus reinos em partes iguais o Santo Sepulcro, o Templo e os Hospitalários.

Essa disposição porém ficou sem efeito, voltaram a separar-se as coroas, os Navarros elegeram Garcia Ramirez e os Aragoneses escolheram Ramiro, irmão de Afonso monge no mosteiro de Sain Pons de Thomieres.

  • Navarra-Garcia Ramirez IV de Navarra(9ºRei de Navarra)-Reinado início.
Foi eleito pelo magnates e bispos navarros, depois da morte de Afonso I. Enfrentou o rei leonês Afonso VII, a quem havia prestado vassalagem, mais tarde firmaram a paz e juntos tomarão Almeria.

Sexta-feira, Novembro 30, 2007

Início da vida comunitária em Santa Cruz(1132)

Acontecimentos em Portugal

  • O Conde Gonçalo Pais das Astúrias é acolhido na corte portuguesa.
  • Fevereiro,24-Início da vida comunitária em Santa Cruz de Coimbra.
O Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra-14



O primitivo edifício da igreja e mosteiro de Santa Cruz foi construído entre 1132 e 1223, mas quase nada resta desta fase românica da obra. A fachada da igreja se parecia à da Sé Velha de Coimbra, com uma torre central avançada dotada de um portal e encimado por um janelão. Esses aspectos da fachada românica ainda são visíveis hoje, detrás da decoração posterior.

Acontecimentos fora de Portugal

  • Leão-Afonso VII domina a revolta asturiana.
  • Alemanha-Imperador Lotário chega a Itália impondo como legítimo pontífice o papa Inocêncio II.

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Acontecimentos no ano de 1131

Acontecimentos em Portugal
  • Mudança da residência real de Guimarães para Coimbra.
  • Junho,28-Mosteiro Santa Cruz Coimbra-Inicio de Construção.
Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra-14

Acontecimentos fora de Portugal
  • Sabóia-Amadeu III de Sabóia consegue apoderar-se de Turim com ajuda do bispo Humberto.
Sogro de D.Afonso Henrique tinha o cognome do Cruzado por ter participado na 2ª cruzada
  • Leão-Afonso VII conquista Castrojeriz. Ainda em poder dos aragoneses.

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

Morte de D.Teresa(1130)

D.Teresa finou-se a 1 de Novembro de 1930, segundo o livro de óbitos de Santa Cruz de Coimbra, legitimando a sucessão de seu filho.

Alguns autores defendem que foi detida pelo próprio filho no Castelo de Lanhoso, outras que se exilou num convento na Póvoa do Lanhoso, onde veio a falecer em 1130, após a derrota na batalha de S-Mamede

Modernamente, entretanto, concluí-se que, após a batalha e já em fuga, ela e o conde Fernão Peres foram aprisionados e imediatamente expulsos de Portugal vindo ela a falecer na Galiza, ao passo que Peres Trava viria reconciliar-se com D.Afonso Henriques.

Os seus restos mortais foram trazidos, mais tarde e por ordem expressa do seu filho, para a Sé de Braga, onde ainda hoje repousam junto ao túmulo de seu primeiro marido, o conde D. Henrique.

Acontecimentos fora de Portugal
  • Afonso VII destrói o Castelo de Celmes.
  • Fevereiro,13-Morte do papa Honório II.
Havia sido eleito papa em 21 de Dezembro de 124.
  • Fevereiro,23-Inocêncio II-Início de papado-Papa 165º
Gregório de Papareschi foi eleito porém havia outro pretendente Pietro Pierleon, cujos seguidores não aceitaram a eleição de Papareschi, proclamando Pierleon também como papa Anacleto II.
Ambos foram coroados, começando assim o cisma.
Os governantes da Europa, e em especial Lotário II, o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, apoiavam Inocêncio II, deixando Anacleto com poucos apoiantes poderosos.
O mais importante deste último Rogério II da Sicília, cujo título de "Rei da Sicília" Anacleto aprovara pouco depois de ascender ao trono papal, viria a forçar Inocêncio a deixar Roma e a ir viver em Pisa, até à morte de Anacleto em 1138, tendo entretanto Bernardo de Claraval apoiante de Inocêncio convencido todos os apoiantes de Anacleto a passar para o lado de Inocêncio que pode então regressar a Roma e governar sem oposição.

Sexta-feira, Outubro 19, 2007

A morte de D.Afonso Henriques(1185)

(Igreja de Santa Cruz)

  • No dia 6 de Dezembro de 1185, faleceu em Coimbra, encontrando-se sepultado da Igreja de Santa Cruz, no mesmo túmulo acompanhado de sua mulher D.Mafalda.

  • O rei D.Manuel anos mais tarde considerou que o sepulcro era modesto, mandando fazer outro, transferindo então os restos mortais para a nave central da Igreja, mas voltaria pouco tempo depois outra vez para a capela-mor, para o mesmo local onde estava anteriormente.

  • Na mesma igreja em frente a seu pai, no lado oposto da capela-mor, repousam também os restos mortais de seu filho e herdeiro D. Sancho I.

  • Várias tentativas para se proceder à abertura do túmulo por iniciativa da professora Eugénia Cunha, que lidera uma vasta equipe luso-espanhola para estudo das ossadas, não têm colhido autorização superior, nomeadamente do IPPAR apoiado pela Ministra da Cultura Isabel Pires de Lima.

  • Tanto quanto julgo saber a posição do IPPAR, salienta que essa iniciativa, não garante a salvaguarda do património.

Sexta-feira, Outubro 12, 2007

Instalação da ordem do Templo(1129)

Acontecimentos em Portugal
  • (Março,14)-Instalação da Ordem do Templo-Doação do Castelo de Soure que também servia de defesa à cidade de Coimbra das invasões sarracenas vindas do sul.
As origens do castelo se Soure estão envolvidas por diversas incertezas, que permitem supor a existência de uma fortificação romana ou de uma construção defensiva executada pelos árabes, mas o mais concreto indício data de 1111, quando o Conde D. Henrique, atribuiu foral a Soure.

Soure foi entregue pela mãe de D. Afonso Henriques, D. Teresa, aos Templários, doação que mais tarde, em 1129, é confirmada por D. Afonso. Com a extinção da Ordem do Templo, o castelo passou para a posse da Ordem de Cristo, que o manteve até ao fim do século XIX.

Tratando-se de um castelo do tipo alcáçova, terá sido utilizado mais como residência do que para fins militares, pertenceu ao poeta Santiago Presado, que por volta de 1940, o colocou à disposição da Câmara Municipal, e chegou a estar à venda em hasta pública. Está classificado como Monumento Nacional.

Primitivamente este castelo contava com quatro torres, uma das quais, foi dinamitada em 1880, por ordem camarária, por ameaçar ruína, hoje apenas uma está completa. Tem um tipo de construção rude, como se tivesse sido edificado à pressa, recorrendo a todo o tipo de matérias disponíveis.

crédito : texto retirado daqui

Acontecimentos fora de Portugal
  • Leão-Revolta em Castela dos condes Lara retém Afonso VII em Leão, o que constitui uma das razões possíveis para a não reacção daquele soberano pelo acontecimentos decorrentes da Batalha de São Mamede

Domingo, Outubro 07, 2007

Confirmação do foral a Guimarães(1128)

  • 19 de Março-Concessão do castelo de Soure aos Templários
Concedido por D.Teresa "pela salvação da minha alma e pela redenção dos meus pecados", não confirmado pelo infante. Dádiva de estrema importância, porque se tratava dum bem valioso e estratégico e que envolvia uma entidade religiosa e militar e que viria a desempenhar importante papel na luta contra os infiéis

  • Abril-Concessão do foral a Guimarães por D.Afonso Henriques
Que não foi mais do que uma confirmação do foral que seu pai, provavelmente em 1096 dera.Nesse documento D.Afonso diz que pretende favorecer os burgueses que com ele tinham passado male et pena. Referindo-se às atribulações que as populações haviam sofrido, durante o cerco a Guimarães por Afonso VII

  • 27 de Maio-D.Afonso solicita apoio ao arcebispo de Braga
D. Paio Mendes, da família dos conhecidos Mendes da Maia,estava à frente da diocese de Braga e era um declarado opositor da influência exercida pelos Travas no governo de D. Teresa. Desde sempre apoiou o infante D. Afonso Henriques de quem foi incondicional aliado, chegando mesmo a estar na prisão e a sofrer o exílio em Zamora.

A carta de 27 de Maio de 1128, em que o infante lhe solicita apoio militar para o confronto que se avizinhava com os partidários de D. Teresa, nomeadamente Fernão Peres de Trava, exprime bem a confiança que ele tinha no prelado e justifica os privilégios que lhe concederá, a começar pela ampliação dos limites do couto de Braga e a atribuição das funções de futuro chanceler, que não exerceu pessoalmente, sabendo-se, no entanto, que os cinco primeiros chanceleres da cúria régia, foram membros do cabido de Braga.
  • Acontecimentos fora de Portugal
  • Alemanha-Conrado da Suábia é eleito anti-rei, pelos inimigos do Imperador Lotário, com o apoio do irmão Frederico e do papa, é coroado em Monza, rei de Itália.

  • Inglaterra-Matilde filha do rei Henrique I casa em segundas núpcias com Godofredo de Anjou, chamado o Pantageneta.Curiosamente não houve oposição por parte de Igreja, apesar da irmã de Godofredo ser viúva do irmão de Matilde e que tinha servido de pretexto para anular outros casamentos.Este casamento com a viúva do Imperador Romano germânico pretendia negociar a paz entre a Inglaterra e a Normandia com Anjou senhor das terras do Maine.
  • Concílio de Troyes-(14 de Janeiro)-onde é aprovada a regra primitiva da Ordem do pobres cavaleiros de Cristo, fundada por Hugo de Payns, com sede junto ao antigo templo de Jerusalém, donde deriva o nome Templários.
  • Leão-Morte de Pedro Froilaz tutor de Afonso VII.
  • Leão-(Novembro)Casamento de Afonso VII com Berengrária, filha do conde de Barcelona em Saldaña

Quarta-feira, Outubro 03, 2007

Acontecimentos ano 1127-Fora de Portugal

  • Luís VI rei de França, casa uma meia-irmã de sua mulher(Adelaide de Sabóia tia da rainha D.Mafalda) com Guilherme Clinton, atribuindo-lhe o senhorio de Flandres, após o assassinato de Carlos o Bom que fora assassinado

  • Henrique I de Inglaterra tenta fazer reconhecer a sua filha Matilde viúva do imperador alemão Henrique V.
  • Henrique I,Cognominado Beauclerc dado seu interesse por literatura, era o filho mais jovem e mais capaz de William I o Conquistador, e de Matilda da Flandres, e também irmão de Roberto II, Duque da Normandia.

Acontecimentos no ano de 1126-Fora de Portugal

  • Henrique o Negro da Baviera morre, sucedendo-lhe o seu filho Henrique o Soberbo, que no ano seguinte por casamento ficará com o ducado da Saxónia.

  • Afonso I de Aragão vence almorávidas na batalha de Ainzol e chega a Málaga.

  • Nasce Averrois. Médico e filósofo hispano-árabe. Membro de uma família de juristas, estuda Medicina e Filosofia.

  • Os averroístas aceitam, com Aristóteles, a concepção de Deus como motor imóvel que move eternamente um mundo eternamente existente não feito nem conhecido por ele. Esta tese da eternidade do mundo choca com as concepções cristãs. Postulam que a alma individual do homem é perecível e corruptível; isto é, não é imortal. Finalmente, os averroístas defendem a teoria da dupla verdade: a teológica ou da fé e a filosófica ou da razão. Portanto, é verdade, de acordo com a fé, que a alma é imortal e o mundo é criado; mas também é verdade, de acordo com a razão, que a alma é corruptível e o mundo é eterno. Esta defesa desesperada da autonomia da razão perante a fé, que se opõe à tese augustiniana de que a verdade é única, é condenada e perseguida no Ocidente cristão pela autoridade eclesiástica.
  • Início do episcopado de Raimundo de Toledo.

Sábado, Setembro 29, 2007

D.Teresa Afonso a filha predilecta

  • Foi por certo um dos últimos actos de D.Afonso Henriques, a negociação do casamento da sua filha Teresa Afonso, que já com 28 anos ainda não tinha casado. Historiadores recentes concluem que o rei tinha grande afeição por esta sua filha o que justifica em parte esse longo celibato da princesa.

  • Outras razões se poderão invocar, por um lado a necessidade de acompanhar e tratar, D.Afonso que desde Badajoz se sabe tenha ficado bastante dependente de ajuda e tratamento.Também se pode acrescentar, algum precaução no que à herança do trono dissesse respeito, não porque a sucessão por Sancho fosse questionada, mas por razões de precaução face a um possível desastre que custasse a vida do herdeiro.

  • Por volta de 1184 já Sancho e Dulce tinham tido filhos, um Henrique outro Raimundo e 3 filhas, porém a sua menoridade terá feito salvaguardar Teresa Afonso para uma eventual remota possibilidade de suceder a seu irmão Sancho.

  • Em 1184 porém como já descrito, podia então D.Afonso negociar o casamento de sua filha. Após demoradas negociações, D.Teresa Afonso foi dada em casamento a Filipe da Alsácia, conde de Flandres, já viúvo há cerca de 7 anos.

  • Grande espavento e numeroso séquito acompanhou a noiva, que assim se despedia de seu pai. que como não deveria ter deixado de imaginar, não voltaria a ver com vida.

  • Maria Roma (esposa de Diogo F. Amaral), num estudo apresentado II Congresso Histórico de Guimarães, traça a vida e o perfil da filha de D. Afonso Henriques, que vem a casar, em 1185, na catedral de Bruges, com Filipe da Alsácia. Cidade de Bruges ainda hoje celebra carinhosamente esta Infanta de Portugal.

  • Viria a enviuvar de Filipe, 6 anos mais tarde sem terem gerado filhos, afinal o grande desígnio do conde de Flandres para que o seu condado não viesse a cair nas mãos do rei de França.

  • Voltaria a casar com o duque Odo III da Borgonha em 1193, mas desse casamento também não nasceram herdeiros, pelo que acabou por ser repudiada.



Terça-feira, Setembro 18, 2007

Acontecimentos fora de Portugal-1125


  • Henrique V-Morre o imperador do Sacro Império Romano Germânico, após vários conflitos é eleito sucessor Lotário de Supplimburgo, apoiado pelo duque da Baviera.Entram em conflito os Hohenstaufen que apoiam a candidatura de Frederico duque de Suábia.

  • Afonso I de Aragão-Invade a província de Granada e tendo vencido em Arinsol um exército almorávida chega a Málaga.

Julião Pais chanceler-mor do Reino(1182)

  • Julião Pais foi nomeado chanceler-mor do reino em 1182 em substituição de Pedro Feijão e após uma vacatura de cerca de 2 anos a que não será estranha a derrota de Arganal. Coincidindo por essa data a doação a Julião Peres do lugar de Ceira.

  • Este chanceler, iria estender a sua influência e o seu cargo ao longo de 3 reinados, pois só viria falecer em 1215. Foi pai do primeiro cardeal português de nome Egídio.
  • A sua nomeação e a longevidade, que obviamente ninguém poderia prever, constituiu o primeiro passo para a consolidação de organização administrativa do país.
  • Era ao chanceler-mor que estava confiado o selo real com que eram autenticados os diplomas régios. As suas funções eram amplas e incluíam o controlo dos diversos funcionários espalhados pelo País. Pode comparar-se ao que hoje em dia consideraríamos um primeiro-ministro.
  • O título de Mestre atribuído a Julião Pais reconhece grande sabedoria e vastos conhecimentos jurídicos, que dele fizeram pois, um dos responsáveis consolidação do reino português.
  • Faleceu em 1215 e está sepultado da Sé de Coimbra

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

A batalha de Arganal-Nova derrota

  • As questões entre Portugal e Leão continuavam mal resolvidas. Afonso Henriques, com se viu havia perdido todos os castelos em que se tornara senhor em Límia e Toroño e que além disso se julgava herdeiro por parte de sua mãe.
  • As relações com Fernando II já foram aqui bastas vezes referidas como extremamente tensas acentuadas com a anulação do casamento com a princesa portuguesa e do qual havia nascido herdeiro do trono leonês.
  • Desse divórcio nova questão havia nascido,a do terras de Castro Torafe que a infanta Urraca Afonso, havia recebido como dote de casamento e que Fernando II considerava retornadas, enquanto D.Afonso Henriques as pretendia destinar à Ordem de Santiago.
  • Esta questão e a convicção que os leoneses estavam enfraquecidos, em razão de 3 reencontros próximos com as forças almóadas, além dum ataque de Afonso VIII de Castela.
  • Assim em meados de 1179 e depois dum segundo ataque do rei de Castela, os portugueses sob o comando do herdeiro Sancho atacam, Ciudad Rodrigo, mas sofrem pesada derrota numa batalha campal em Arganal.
  • As posteriores tentativas de novo ataque foram sendo adiadas pois a eventualidade duma coligação com o rei de Castela esfumou-se devido a uma acordo de paz assinado entre Leão e Castela em Medina del Rioseco dois anos depois.
  • D.Sancho já rei haveria de voltar mais tarde ao combate por esta causa.

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Acontecimentos ano 1178-Fora de Portugal

  • Papa Alexandre III-de seu nome Orlando Bandinelli foi Papa de 1159 até 3 de Agosto de 1181.Nasceu em Siena, ensinou direito canónico na universidade de Bolonha, onde escreveu Summa Magistri Rolandi, comentários sobre Decretum Gratiani.Reconciliação com o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Barba Ruiva que é coroado em Arles
  • Henrique II de Inglaterra, institui um tribunal de justiça permanente.Acabou com a anarquia e desenvolveu o direito consuetudinário, que foi aplicado em toda Inglaterra pelos tribunais do reino. O reino de Henrique abrangia mais da metade da França e o reinado sobre a Irlanda e a Escócia. Seus filhos conspiraram contra ele em várias ocasiões, apoiados pelos Reis da França e pela sua própria mãe, Leonor de Aquitânia.

Domingo, Setembro 09, 2007

Renascer dos conflitos com os álmoadas


  • Castelo de D. Fuas Roupinho
  • Uma vez rompidas as tréguas em 1178 parece ter libertado uma ânsia de combater pela parte dos Reis cristãos. Em especial por parte dos portugueses, a área de Sevilha pareceu ser a escolhida para fazer incidir os seus ataques.
  • Logo 1179 e desta vez usando a via marítima Fuas Roupinho o almirante da frota portuguesa, subindo o Guadalquivir, volta a atacar os arredores de Sevilha, saqueando e retirando de seguida.
  • A resposta não se fez esperar do lado almóada que usando a frota de Ceuta, ataca Lisboa, destruindo alguns navios e saqueando também os arredores
  • Nova ataque marítimo sob o comando do almirante, levou a novo raíde à ilha de Saltes e nova resposta já em Maio de 1180 terá levado os árabes a atacar a Nazaré e Porto de Mós, exactamente o castelo de alforia de D.Fuas Roupinho que ajudado pelos homens de Alcanena e de Santarém dizimou as hostes invasoras.
  • Em Julho do mesmo ano liderando uma frota portuguesa armada em Lisboa, D.Fuas derrota ao largo cabo Espichel uma frota de nove navios álmoadas inflingíndo-lhes pesada derrota.
  • Com uma frota alargada a 40 navios, D,Fuas abalançava-se a atacar não só o Algarve como também Ceuta, inaugurando a tentativa de penetração em África que 3 séculos depois se iria retomar.
  • No ano de 1181 acabaria porém a precoce aventura naval deste almirante, que ao dirigir -se a Silves,com o intento de novo ataque, com a sua frota de 40 navios, foi confrontando com uma poderosa frota álmoada de 54 navios e nessa batalha ao largo do Cabo de São Vicente (para alguns seria do Espichel), seria morto e 20 dos nossos navios afundados.

Terça-feira, Setembro 04, 2007

Acontecimentos no ano de 1179-Fora de Portugal

  • Concílio de Latrão,III e XI na cronologia dos concílios. Realizado entre 5 e 19 de Março, que estabeleceu as normas para a eleição do Papa, por dois terços dos cardeais presentes no conclave. Acabando o direito imperial de nomeação do Papa.
  • Foi determinado que neste concílio a obrigatoriedade de todas as igrejas possuírem uma escola, ficando excluído qualquer recurso às autoridades leigas para dirimir dúvidas do processo eleitoral, recomendação da disciplina da Regra aos monges e cavaleiros regulares, que interferiam indevidamente no governo da Igreja. ´ condenação das heresias da época, de fundo dualista (catarismo) ou de pobreza mal entendida (a Pattária, o movimento dos Pobres de Lião ou Valdenses)

  • Tratado de Cazola-Aliança entre Afonso VIII e Afonso II de Aragão para reconquistar Valência, que havia regressado a mãos muçulmanas, bem como negociar a partilha dos territórios a reconquistar.

Manifestis probatum est

  • O ano de 1179 foi um bom ano para Portugal e para o nosso rei. Apenas 3 meses depois do seu testamento e no dia 23 de Maio e um pouco inesperadamente, Alexandre III por meio da bula Manifestis probatum est. reconheceu a D.Afonso Henriques o título de rei, declarando que o tomava a ele e aos seus herdeiros sob a protecção da Santa Sé, considerando Portugal como um reino pertencente a São Pedro, prometendo auxílio papal.
  • Tinham passado 36 anos desde a homenagem prestada por D.Afonso Henriques.
  • Mattoso defende uma teoria curiosa para esta decisão, numa altura em que se não esperava, nem tinha sido objecto de negociações específicas. Ele relaciona este acontecimento com o testamento de D.Afonso de 3 meses atrás.
  • Nesse testamento como disse foram amplamente contemplados a Igreja, as suas instituições e provavelmente ao próprio Papa não esquecendo que durante todos os anos passados desde a homenagem ao Papa, foram sempre escrupulosamente pagos os tributos devidos.
  • O emissário que teria dado a boa nova das contemplações testamentarias poderá ter sido o novo arcebispo de Braga Godinho, anteriormente referido, que terá tomado parte no concílio de Latrão que teve lugar entre 5 e 19 de Março.
  • Sob o ponto de vista político naturalmente as alterações acontecidas na Península também justificavam amplamente que a D.Afonso Henriques fosse atribuído o título de Rex em detrimento do simples dux porque era anteriormente designado.
  • Não havia nenhum rei hegemónico como no tempo de Afonso VII, havia 5 reinos ibéricos independentes e essa questão era tão evidente que se iria manter durante séculos.
  • A partir de 1179 deixava de ser rei de facto para se tornar de pleno direito.
  • Haveria por certo razões de peso para se considerar que o dia de Portugal devia ser o dia 23 de Maio.

Domingo, Agosto 26, 2007

O testamento de D.Afonso Henriques

  • São factos do ano de 1179 a concessão dos forais dados por D.Afonso Henriques às cidades de Lisboa, Santarém e Coimbra, todas em Maio desse anos. 32 anos depois da conquista das duas primeiras, achava D.Afonso que as principais cidades do Reino podiam finalmente aspirar ter a sua própria administração.
  • Poucos meses antes dessa concessão, D.Afonso Henriques já com cerca de 70 anos entende chegada a hora de redigir o seu próprio testamento. Existem duas versões a primeira delas com data de Fevereiro desse ano e outra sem data mas não muito diferente da versão referida.
  • Esse testamento refere apenas os legados em dinheiro a instituições religiosas, reflectindo as suas preocupações, normais na época de associar essas dádivas à salvação da alma.
  • Revelador contudo foi a preocupação de distinguir as instituições em si mesmo e não os respectivos chefes, não beneficia bispos, ou as dioceses, contempla as obras das catedrais. Destina dinheiro para pobres e para hospitais de doentes peregrinos e viajantes.
  • Dá dinheiro para a recentemente criada Ordem de Évora, encarregada de defender a zona mais avançada do Reino, mas nada concede aos Templários, nem para os de Santiago, cujos rendimentos sabia bem elevados.
  • Testamento portanto também ele revelador do seu carácter.

Quinta-feira, Agosto 23, 2007

Ataque aos arredores de Sevilha (1178)

Independentemente do efeito político do casamento de Sancho com a herdeira de Aragão, os tempos na Península Ibérica no que aos aspectos diplomático diziam respeito, não se encontravam numa fase positiva.

Não tendo sido convidado para os múltiplos encontros que foram acontecendo demonstra que o afastamento de D.Afonso Henriques da cena era real e preocupante.
  • Em 1176 acordo de paz entre Castela e Navarra com a mediação de Henrique I de Inglaterra, originou vários acordos com o envolvimento da coroa de Aragão, não tendo sido D.Afonso chamado para essas negociações pelo menos como aliado de Aragão e Castela
  • Em 1177 Leão, Aragão e Castela unem-se militarmente para cercar Cuenca, como retaliação para um ataque ao rei de Castela por parte dos almóadas
  • Novamente em 1177 encontro em Tarazona, entre esses 3 reinos cristão, não estando Portugal representado, nem sido convidado
  • Foram por certo esta as razões que levaram Portugal a considerar a necessidade de reavivar o seu prestígio, envolvendo forte exército para uma incursão aos arredores de Sevilha sob o comando do infante Sancho, conforme se aborda naquele blogue.
  • As razões dessa acção militar tendem igualmente a fazer lembrar ao papado, que existe Portugal, que espera o seu reconhecimento enquanto reino, continuando a pagar o tributo anual à cúria desde 1143

Domingo, Agosto 19, 2007

Morte de D.João Peculiar(1175)

  • Dom João Peculiar falecido em Braga em 3 de Dezembro de 1175, foi um dos aliados mais fiéis de D.Afonso Henriques, estando presente até á data da sua morte, em todas as circunstâncias mais marcantes dos percurso do nosso Rei fundador.
  • D.João era de origem francesa , mas a família habitava em Coimbra ou na região do Vouga.Deve contudo ter estudado em França, o suficiente para vir a desempenhar as funções de mestre-escola da catedral.
  • Fundou em terras que era proprietário, uma comunidade eremítica dirigida por João Cirita, que haveria mais tarde ingressar em hábitos cistercienses.
  • Inimigos de D.João haveriam de o acusar de o ter abandonado.
  • Fundou em Coimbra em 1131, com D.Telo e D.Teotónio uma comunidade de cónegos regrantes o Mosteiro de Santa Cruz, do qual este último será o primeiro prior.
  • Foi D.João que o coroou dizem nas cortes de Lamego, (de existência duvidosa contudo).
  • Organiza o encontro de Zamora em 1143, que marca o início do processo de independência.
  • Acompanha D.Afonso na conquista de Lisboa, abençoa enquanto arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, reconhecido desde 1139, a mesquita-mor do mouros e sagrou Gilberto de Hastings 1º bispo da cidade conquistada.
  • Por sua morte deixou manuscritas muitas dessas cartas em latim.

Quarta-feira, Agosto 15, 2007

Saladino-Uma personalidade de respeito


  • Por esta altura em 1175 a fama de Saladino começa a espalhar-se há 6 anos que fora nomeado sultão do Egipto, sultão de um Império que se estendia da Síria, Egipto até a região central da actual Turquia.

  • Esse império originário da Síria, veio pôr fim e criar unidade política no mundo muçulmano cujas diversas seitas se guerreavam entre si pela hegemonia, que os enfraquecia.
  • Durante algum tempo os Estados cristãos sobreviveram na Asia, graças às divisões entre os seus inimigos, tendo os exércitos de seu tio, Nur ad-Din, governador de Alepo (Síria), derrotado todos os outros governantes muçulmanos.
  • Contudo para além do seu poderio militar Saladino, nascido curdo em Tikrik hoje território Iraquiano, salientou-se também e o seu lugar na História fica marcado por isso, pela sua personalidade.
  • Numa época em que governar significava crueldade e traição, Saladino destacou-se pela sua honestidade e humanidade, honrava a sua palavra a amigos ou inimigos e ao contrário do que acontecia com o comportamento cristãos, seus homens nunca massacraram prisioneiros indefesos, num tempo em que ainda ficara na memória a tomada de Jerusalém em 1090 pelo cristãos, tão sangrenta que se dizia que nalguns pontos o sangue corria e chegava aos joelhos.

Sexta-feira, Agosto 10, 2007

A fundação da Ordem de Évora-1175

  • Enquanto portugueses e leoneses se preocupam, nesta altura em tarefas defensivas de consolidação do território, com a entrega de forais e consequente fixação das populações em zonas estratégicas os almóadas promovem acções ofensivas agressivas no sentido de recuperar algum do que fora o seu território.

    • Reconstruem Badajoz e retomam os castelo que Geraldo Geraldes (seria mais tarde condenado à morte em Marrocos) havia conquistado nomeadamente Beja, a praça mais importante e que ele havia abandonado em 1172.
    • Beja foi então retomada pelos almóadas conseguindo terminar essa reconstrução em 28 de Dezembro de 1174.
    • Esse avanço naturalmente preocupa a cora portuguesa que decide nesse mesmo ano criar a Ordem de Évora, entregando seu comando ao governador militar de Lisboa e da Estremadura, Gonçalo Viegas de Lanhoso, cuja principal tarefa, naturalmente, se destinava prioritariamente à defesa de Évora. Esta nomeação ocorreu entre 1175 e Abril de 1176, quando recebem por doação o castelo de Coruche.
    • Provavelmente esta ordem recebia o apoio espiritual da ordem de Císter, vindo mais tarde a transferir a sua sede para Avis , recebendo então esse nome, filiando-se também na milícia de Calatrava, donde se reconhece serem originários os cavaleiros fundadores.

Terça-feira, Agosto 07, 2007

O casamento do herdeiro do trono

  • (D.Dulce de Aragão)
  • Tornava-se necessário para a continuidade da dinastia de Portugal, não esquecendo que o reconhecimento papal ainda não tinha acontecido, negociar o casamento do inequívoco herdeiro do trono, com a máxima segurança que uma aliança com o reino de Aragão preferenciava como aliás já estivera para acontecer quando da negociação do casamento da infanta Mafalda com o herdeiro do trono de Aragão, Afonso II e que a morte prematura da infanta havia liquidado.
  • A negociação do casamento terá decorrido entre os regentes de Aragão já que Raimundo Berenguer havia morrido e Afonso II apenas teria 14/15 anos.

    Sem dúvida que este casamento interessava aos dois pequenos reinos peninsulares com relações difíceis com os seus vizinhos poderosos e muito agressivos ao passo que a distância entre Portugal e Aragão afastava em muito qualquer colisão de interesses.

    Não existe praticamente documentação sobre D.Dulce, nem sobre a negociação do dote, sabe-se que o casamento terá decorrido em Coimbra no ano de 1174.


    Mais informação sobre o tema desta mensagem pode ser acompanhado do meu blogue sobre D.Sancho I

Quinta-feira, Agosto 02, 2007

A co-regência com o infante D.Sancho



Alguns historiadores têm colocado a questão de considerar que após 1169 o verdadeiro rei, teria sido o príncipe Sancho, pois agravando a incapacidade física que a falhada tomada de Badajoz terá ocasionado, agravada pelo período de cativeiro à ordem do genro, também consideram alguns que D:Afonso Henriques terá sido atingido por um acidente vascular que o deixara totalmente incapacitado.

  • Mattoso rejeita essa tese, por não haver prova documental credível sobre essa mesma incapacidade, mas a activa intervenção do príncipe herdeiro assumem-no como co-regente na condução do reino, pelo menos no que ás intervenções militares diziam respeito.
  • Existem numerosos documentos onde se assinala essa "promoção" do infante Sancho, mas cite-se a titulo de exemplo a memória da transladação das relíquias de S.Vicente, redigidas pelo deão da Sé de Lisboa onde se diz "que a cerimónia se realizou no dia 15 de Setembro de 1173, do rei Afonso, aos 67 anos de vida, co-reinando Sancho,filho do mesmo rei, de 19 anos".
  • D.Sancho já havia sido armado cavaleiro no ano de 1170, mas só depois da cerimónia acima referida, começou a participar na guerra com algum destaque, permanecendo a duvida se o jovem príncipe teria tido a sua função iniciática numa nova tentativa de tomada de Badajoz, conduzida por Geraldo Geraldes no Outono de 1170.
  • Contudo a chefia militar do exército, evidente depois de 1173, haveria de se reflectir noutros feitos mais marcantes, como a duma grande expedição a Sevilha em 1178 e outra na fronteira leonesa em 1179.
  • A partilha de poder decorrente da promoção do infante têm destaque numao I

Terça-feira, Julho 24, 2007

A formação da Ordem de Santiago


A ordem de Santiago foi fundada por Fernando II em 1170 em Cacéres, mas acabou por fixar a sua sede em Uclés em território de Castela

A sua introdução em Portugal está documentada em data próxima do ano de 1172, tendo desempenhado parte activa e de relevo no episódios que se iriam seguir na Reconquista.

  • A regra que seguiam era a de Santo Agostinho e muito embora a bula papal recomendasse o celibato, o certo é que ao contrário de Císter, os seus membros não eram obrigados aos voto de castidade, pois a sua carta fundadora pragmaticamente defendia ser melhor "casar do que viver consumindo-se pelas paixões ".
  • Só na pobreza e obediência, os seus votos se assemelhavam às outras ordens.
  • A tese do "negócio em pacote", entre Fernando II e o papa Alexandre III, é colocada como hipótese bem plausível por alguns historiadores, dado envolver na mesma época, a separação de Fernando II de Leão e de Urraca, filha de D.Afonso Henriques, a criação da bula de autorização para a criação desta ordem e a concessão do bispado a Ciudad Rodrigo.
  • Consubstanciava-se assim o poder do rei leonês, pronto para encetar de novo o movimento de Reconquista.
  • Curiosamente, ou talvez não logo em 1172, ainda a Ordem de Santiago não tinha sido confirmada pelo Papa, o que viria a acontecer somente em 1175 e já D.Afonso Henriques a reconhecia, doando lhe importantes possessões nomeadamente Almada, Alcácer e Palmela, que viria a tornar-se a sede da ordem.
  • Um foral dado aos habitantes de Monsanto em 1174, já depois do castelo ter sido retirado aos Templários que o haviam reconstruído como disse anteriormente em 1170 e concedido aos de Santiago, é um facto que vem salientar esta preferência súbita que a coroa portuguesa demonstrou, pela ordem hispânica de Santiago, criada por iniciativa do rei leonês.
  • Qual a razão ? A resposta, escapa-se ao meu entendimento, ficando apenas suposições, entre a estratégia de nos associar à força que se avizinhava forte na Reconquista, ou a continuação do esforço consolidação defensiva e povoamento, como se percebe nortear a concessão por essa altura de forais a muçulmanos livres de Lisboa e outras povoações ao sul do Tejo.
  • Os Cavaleiros de Santiago, chamados de Santiaguistas ou Espatários (por ser o seu símbolo uma espada em forma crucífera – ou uma cruz de forma espatária, dependendo do ponto de vista

Quinta-feira, Julho 19, 2007

Gualdim Pais e a estratégia defensiva


Datam de pelo menos 10 anos antes da derrota de Badajoz, as iniciativas de D.Afonso Henriques, no sentido de promover a defesa do reino, em especial no que a Lisboa e Santarém dizia respeito.

Deve destacar-se nessa altura o papel dos Templários e do seu mestre Gualdim Pais na edificação de fortificações e consequente consolidação defensiva do território português.

  • Gualdim Pais terá sido desde muito jovem, educado e feito cavaleiro pelo próprio rei. Oriundo dum família pertencente à nobreza minhota, natural de Priscos-Braga, terá logo a seguir à conquista de Lisboa com apenas 22 anos seguido para a Terra Santa, para combater pela Fé.
  • Muito jovem também voltou, pois já em 1156-57 se assinala a sua presença em Portugal, na doação que o Rei lhe faz, sendo já mestre Templário, de várias casas e herdades situadas em Sintra.
  • Em Fevereiro de 1159 fez-lhes doação do castelo de Ceres, como compensação dos direitos cedidos à Sé de Lisboa, dos rendimentos eclesiásticos que os Templários, haviam obtido por doação real quando da conquista de Santarém em 1147.
  • Esta troca de doações veio a propiciar não a reconstrução do castelo de Ceres, mas a edificação dum outro mais a sul, num local onde haverá de nascer a povoação de Tomar e que será o centro da ordem em Portugal.
  • Foram introduzidas pelos Templários, novas técnicas arquitectónicas, trazidas por certo da Terra Nova por Gualdim Pais, (exaustivamente estudado pelo prof.Mário Barroca), que terão de tal modo agradado a D.Afonso Henriques que em 30 de Novembro de 1165. assina nova carta de doação para dois novos castelo na fronteira leste do território, Idanha-a-Velha e Monsanto, cujos trabalhos só iniciaram por volta de 1170, data em que terá terminada a construção do castelo de Tomar.
  • Outros castelos se seguirão, sempre com a utilização das mesmas soluções técnicas, Almourol, Penarroias,Longroiva, Zêzere e Cardiga.
  • Esta política de consolidação defensiva, seria posta a prova em anos seguintes durante as violentas invasões almóadas.

Domingo, Julho 15, 2007

Alterações no comando militar-1169

  • O desastre de Badajoz viria a provocar um verdadeiro terramoto, que se reflectiu no afastamento de Pêro Pais da Maia, sexto alferes-mor do Reino, que desempenhava o cargo havia mais de 20 anos, incompatibilizado com Afonso I de Portugal, que por certo o responsabilizara por algum aspecto do desenrolar da acção militar decorrida em Badajoz, ou algum acontecimento que poria em causa a sua lealdade.
  • O senhor da Maia passa ao reino de Leão, onde Fernando II lhe confia o mesmo cargo na sua corte, não passando a figurar entre os confirmantes dos diplomas régios, mesmo depois da morte de D.Afonso Henriques.
  • O cargo de alferes-mor do Reino, equivalente a um comandante operacional do exército, era de extrema importância, mais ainda numa altura em que se confirmava a incapacidade física de D.Afonso, que não poderia voltar a montar a cavalo.
  • Aliás a incapacidade física do Rei, aos 60 anos, era muito mais grave do que isso, pois nem sequer poderia voltar a andar e tinha de ser transportado ou em anda ou em colo de homens.

    A versão da incapacidade física do rei ser verdadeira, é a mais plausível, contudo, ficou sempre a pairar a ideia, por certo para minimizar a humilhação que o Rei deveria sentir, pela sua condição, que afinal se tratava duma habilidade, mais uma esperteza do nosso Rei, que havia prometido ao genro voltar à prisão, logo que pudesse voltar a montar a cavalo. Assim, a sua incapacidade física seria simulada, para não cumprir esses compromisso
  • Nesta circunstância a escolha recaiu sobre o seu filho mais velho embora ilegítimo Fernando Afonso, filho da sua ligação com Châmoa Gomes, antes do seu casamento com D.Mafalda.Curiosamente meio-irmão de Pêro Pais, filhos da mesma mãe
  • Fernando Afonso contava então 30 anos, enquanto Sancho o herdeiro da coroa, jovem adolescente contava apenas 15.

    Fernando Afonso foi pois nomeado alferes-mor do Reino em Setembro de 1169.Cargo que manteria durante cerca de 3 anos.

    Se bem que nesse período não tenha havido notícia de acontecimentos militares a sua presença no segundo lugar da monarquia portuguesa, viria a provocar, sabe-se hoje, atritos internos, nos jogo de interesses que se formaram em torno da sua figura enquanto sucessor de D.Afonso e de D.Sancho o jovem herdeiro "legal".

    Em volta de Fernando Afonso encontrava a nobreza minhota e as ordens militares internacionais, os Templários e os Hospitalários.
  • Ao lado de D.Sancho colocava-se a nobreza sulista e as ordens militares hispânicas de Santiago, Uclés e Évora.

    Será interessante observar como D.Afonso Henriques arbitrou e resolveu este conflito.

Quinta-feira, Julho 12, 2007

As consequência da derrota de Badajoz

  • As repercussões da vitória de Fernando II, sobre Afonso Henriques, foi de enorme satisfação no reino de Leão, tratava-se afinal duma vitória de grande prestígio, conseguida sobre um rei que somara até aí grandes vitórias.

    • Mesmo em termos de conquista territorial,o ganho foi enorme, tiveram que ser devolvidas todas as conquistas, que Geraldo Geraldo havia conseguido, situadas a leste do rio Guadiana, bem como as terras que D.Afonso havia conseguido em terras da Galiza, incluindo claro as que já tinha sido acordado devolver em 1165 e que não tinha feito.
    • Percebe-se que nesse tempo, os interesses duma coroa se sobrepunham aos da cristandade, doutra forma não teria sido possível o mundo cristão elogiar a vitória dum rei cristão sobre outro por aliança com os mouros.
    • Afonso Henriques nunca o fez, embora acusado por muitos "observadores" da época actual, de não olhar a meios para construir um Reino.
    • Aceito que a ideia da construção da Pátria, não fosse a questão central pelo menos em termos modernos do conceito de Pátria, naturalmente que a questão pessoal, da conquista de poder, do seu poder, era compatível com os desígnios principais da maioria das coroas reinantes.
    • O máximo de negociações efectuadas por D.Afonso com os mouros, foram as tréguas, usuais na época, que consistiam em pactos de não agressão.
    • Afonso Henriques esteve preso em poder do genro, quase 2 meses, voltado para Coimbra e depois para as termas de São Pedro do Sul, onde permaneceu em convalescença alguns meses.
    • Geraldo sem-Pavor, que também fora preso, foi libertado por entrega das praças que havia conquistado e que se mantinham em poder dos seus homens, pelo que em Março de 1170, já estava de novo em Juromenha, pensando provavelmente no dia em voltaria a tentar a conquista de Badajoz.
    • A Fernando II de nada valera o estratagema no que à posse de Badajoz, dizia respeito, pois passado o primeiro tempo em que foi reconhecido como o senhor de Badajoz, o certo é que passado pouco tempo, já os almóadas tomavam posse daquela guarnição.

Terça-feira, Julho 10, 2007

Desastre de Badajoz

  • Não só Geraldo Geraldes sonhava conquistar Badajoz, também D.Afonso Henriques o desejava, isso prova-se não só pelo desenrolar da acção de ataque no dia 3 de Maio de 1169, como também em documentação produzida onde é colocada na boca do rei a manifestação do interesse pela conquista da fortíssima praça de Badajoz.

    Uma vez conquistadas as defesa próximas de Badajoz, parecia óbvio aquele objectivo, que demorou 2 anos a ser preparado, passando pela reparação das muralhas de Évora e a reunião da forças necessárias para o que se adivinhava ser um cerco demorado, já que o efeito surpresa dos ataques de Geraldo Geraldes, já não contava como tal.

    Num primeiro ataque Geraldo terá conseguido romper as muralhas exteriores, mas a guarnição muçulmana refugiou-se na alcáçova, enquanto D.Afonso Henrique se juntava ás forças de Geraldo, montando cerco.

    De Marrocos vieram reforços, que chegados a Sevilha, souberam que o rei Fernando II também havia marchado para Badajoz.

    Poderia ser uma boa notícia, saber-se que um rei cristão, se dirigia para Badajoz, onde o seu sogro, um rei cristão tentava conquistar uma praça muçulmana.

    Não era uma boa notícia.

    Os acordos de Sahagun que em 1158 tinha assinado com seu irmão, haviam estabelecido para o rei leonês os territórios do Alentejo e Algarve.

    A posse de Badajoz, como corolário das restantes conquistas alentejanas de Geraldo Geraldes, contrariavam o cumprimento desse acordo.
  • Precavido contra essa possibilidade havia um ano antes feito um pacto de defesa mutuo com os almóadas.

    Como diz Mattoso " o antagonismo religioso entre cristãos e muçulmanos não foi suficiente ... para impedir a sua aliança com o inimigo de sempre.

    Essa conjugação de forças foi fatal, para as nossa forças. Na debandada, quando o nosso rei tentava fugir a cavalo, chocou com o ferrolho de uma das portas da muralha exterior, partindo a perna direita.
  • Ainda tentou seguir até ao Caia, mas foi capturado pelos leoneses e aprisionado à ordem do genro Fernando II.

    Havia falhado a conquista de Badajoz e a "fisionomia" do seu reinado, iria mudar por completo.

Sábado, Julho 07, 2007

Geraldo Geraldes conquista o Alentejo

Alexandre Herculano, tentou explicar as razões que levaram ao distanciamento, que D.Afonso Henriques pareceu votar as acções bélicas de Geraldo Geraldes, andando a reboque dos acontecimentos, em vez de os dirigir, comportamento que não condiz nada com o perfil do nosso primeiro rei.

Atribuía Herculano essa passividade ao retemperar de forças portuguesas, duma enorme derrota militar em 1161, na qual o próprio rei teria ficado bastante ferido e onde teriam morrido cerca de 6000 homens num ofensiva almóada conduzida por Abdul-Mumen da qual, teriam sido recuperadas pelos mouros Beja, Évora e Palmela.

Esta explicação, justificava o abandono da linha estratégia de acção seguido pelo rei, passando a ser conduzida por Geraldo Geraldes e o seu bando de malfeitores.

Não encontro em Mattoso, apoio para esta tese mas o certo é que entre 1162 e 1167, Geraldo consegue recuperar não só aquelas praças, como também Elvas , Juromenha, Moura, Serpa,Monsaráz e ao que parece ainda Mourão, Arronches, Crato, Marvão, Alvito e Barrancos, bem como dentro da zona leonesas Trujillo, Cacéres e Lobon.

Aparentemente, colhe melhor a tese do "eclipse"de D.Afonso Henriques, nesse 5 anos, se se aceitar a tese do exército dizimado e dos próprios ferimentos do Rei.

Romântico como sempre, Freitas do Amaral, acrescenta a este período de "pousio" real a ideia duma longa lua de mel, com Elvira Gualtar a sua terceira mulher de quem viria a ter 2 filhas a quem, com a imaginação habitual chamou Teresa Afonso e Urraca Afonso.

Quanto a Geraldo Geraldes, instalou-se após a saga alentejana em Juromenha, não apenas vivendo do rendimento que essas conquistas lhe haviam trazido, mas, congeminando por certo, na maneira de atacar Badajoz.


Segunda-feira, Julho 02, 2007

Mercenários conquistam Beja-1162

(torre de menagem do castelo de Beja)

Como nota de abertura , uma passagem duma entrevista de José Mattoso, por certo um dos maiores investigadores medievais e em especial da vida e acção do nosso caudilho (sic) D.Afonso Henriques. Diz ele à agência Lusa

"Santarém é conquistada pelo assalto por surpresa de um pequeno bando; em Lisboa, se não fossem os cruzados, não haveria conquista; Alcácer do Sal é assaltado várias vezes, entre elas por um pequeno grupo de cavaleiros vilãos que nem tinham armadura; Évora foi conquistada por Geraldo Sem Pavor com um grupo de 'latrones', isto é, por um bando de mercenários que agiam por conta própria ou se podiam pôr a serviço de quem os recrutasse; também foram eles que conquistaram Beja".

O fenómeno mercenário, não é pois uma invenção do século XX. Já acontecia 800 antes, grupos de pessoas oferecerem os seus préstimos por dinheiro ou outro tipo de benesses, sem qualquer intuito patriótico ou nacionalista, conceito aliás muito ténue em 1159.


Muito embora Mattoso não faça menção a uma tomada de Beja em 1159, alguns autores assinalam-na, considerando o dia 30 de Novembro de 1162, como a data da sua reconquista.


Pode realmente ter acontecido essa incursão em 1159, já que também era hábito, em certas ocasiões, que essas conquistas, não tivessem outro objectivo, que o de um mero saque, chegando por vezes os "conquistadores" a permanecer na cidade durante algum tempo, enquanto existirem víveres e nos campos em redor, depois despovoarem-na a arrasarem as muralhas, sem se preocuparem com as consequência militares da expedição.


Se assim aconteceu em 1162, tendo por ali permanecido durante cerca de 4 meses, porque não admitir que o mesmo tenha acontecido igualmente em 1159 ?

Geraldo Geraldes, teria sido anteriormente um cavaleiro-vilão de Santarém, antes de formar o seu próprio grupo mercenário, terá negociado com D.Afonso Henriques a posse de Évora, como veremos adiante, antes de vir a pôr-se ao serviço do emir de Marrocos.

Não foi contudo caso único na época, o "rei" de Valência Ibn Mardanish, chefia grupos cristãos atacando almóadas, enquanto pagava tributo a Castela pela sua liberdade de acção.

Fernão Castro mordomo de Fernando II abandonou a corte leonesa para viver algum tempo da guerra ao lado dos almóadas sevilhanos.

Quarta-feira, Junho 27, 2007

Novas quezílias com Fernando II de Leão

(Fernando II)
Estavam ainda muito longe de terminar os conflitos com o rei leonês, que o acordo de Celanova podia deixar antever.

No verão de 1162, aproveitando a morte de Ramon Berenger IV,Fernando II, conseguiu manobrar junto da viúva a Rainha Petronilha no sentido de ser anulado o acordo de casamento, que haviam feito com D.Afonso Henriques, para que o herdeiro, o futuro Afonso II de Aragão casasse com a infanta Mafalda de Portugal e lavá-lo a casar com uma irmã sua D.Sancha o que viria a acontecer.


Reacendendo-se uma revolta de cavaleiros em Salamanca, D.Afonso Henriques, talvez a convite dos revoltoso , entra na cidade , onde nos primeiros meses de 1163 veio a exercer actos de soberania (cf. José Mattoso em D.Afonso Henriques ).


Em todo o ano de 1165, a presença do rei português na Galiza, torna-se ainda mais agressiva, pois a partir do castelo de Cedofeita, atacava Pontevedra e Orense.

Fernando II uma vez acalmada de novo a situação em Castela, volta a encontrar-se com Afonso Henriques em Pontevedra, 5 anos depois do encontro de Celanova, selando-se um novo acordo de paz, desta vez em definitivo foi contratado o casamento de Fernando II, com Urraca Afonso filha do rei de Portugal.

O impedimento canónico que existia e que tornava esse matrimónio proibido, não foi respeitado, mas que viria mais tarde a resultar em dissolução, contudo casaram mesmo em Junho de 1665, vindo a nascer desse casamento o futuro rei Afonso IX de Leão.


Manteve contudo Afonso Henriques o domínio nos condados de Límia e Toroño a sua velha pretensão já que desde sempre considerava esses territórios herança pessoal de sua mãe.


Manteria-os até á próxima quezília que haveria de voltar a ter com o seu genro em 1169.

Sexta-feira, Junho 22, 2007

Acordo de Cellanova com Fernando II-(1160)

(Mosteiro de Celanova-Galiza)

Por razões que se prendiam com envolvimentos hostis com a coroa de Castela, também convinha a Fernando II de Leão, apaziguar as suas relações com o vizinho ocidental peninsular, atendendo ao acordo que Portugal havia consignado com o conde de Barcelona em Janeiro de 1160.

Assim no final desse mesmo ano, Fernando II consegue impor a D.Afonso Henriques um encontro no mosteiro beneditino de Celanova, na Galiza, pelo qual o nosso rei se comprometia a restituir-lhe a soberania da cidade de Tui e os respectivos territórios, promessa que aliás, não veio a cumprir.

Muito embora a documentação existente não seja concludente, terá sido igualmente acordado os limites da fronteira do Guadiana, ficando esboçado que Elvas se antevia viria a pertencer a Afonso Henriques e Badajoz a Fernando II, quando viessem a ser conquistadas.

Como "selagem" deste duplo compromisso político, os dois Reis firmaram acordo de contrato de casamento, através do qual, o Rei de Portugal concedia a mão da sua filha mais velha, D.Urraca, então com 12 anos, ao Rei de Leão e da Galiza.

Os dois acordo conseguidos em Tui e em Celanova pareciam assegurar alguma tranquilidade ao rei português, no que ás suas fronteiras do norte do País dizia respeito, podia deixar antever que a continuação do avanço para sul da península poderia vir a decorrer com mais facilidade.

Assim não virá a acontecer.



Sábado, Junho 16, 2007

Os cinco reinos ibéricos

O casamento de D.Mafalda, com o filho do conde de Barcelona,não virá a concretizar-se (ver nota 42), mas o contrato estabelecido, tem grande significado político.

A divisão feita por Afonso VII, do seu reino, pelos seus 2 filhos, esbateu a ideia do Imperador e dos seus vassalos, afirmada por Afonso VI e assumida por Afonso VII.
Os cinco reinos que repartem entre si o espaço Ibérico, apesar do eixo principal ter desaparecido, permanecendo o equilibro entre si, sem nenhum deles conseguir supremacia sobre os outros.

Os cinco reinos protagonistas desse equilíbrio foram Portugal, Leão, Castela,Navarra e Aragão. Os conflitos que existiram entre eles foram bastas vezes compensados com alianças pontuais, o que viria a permitir o prolongamento desse equilíbrio.

A expressão concreta desses equilíbrios eram os casamentos reais e a abertura de portas para aceitação de D.Afonso Henriques, como parceiro de pleno direito nesse mercado matrimonial foi iniciado pelo acordo matrimonial anteriormente referido.

A importância dos casamentos reais , e das respectivas linhagens dos nubentes, tinha extremo significado nesse tempo. Criticava-se D.Afonso Henriques por ter casado com D.Mafalda abaixo da sua condição real, por ela ser apenas filha de conde e não ser "digna" do rei de Portugal.

O acordo nupcial com o filho do Conde de Barcelona, viria "rectificar" de certo modo, essa questão.

Realmente o conde de Barcelona , nunca quisera assumir o título de Rei, muito embora a sua importância, nas relações quer com D.Afonso VII, quer com os Reis de Navarra, fosse a maior. Mesmo que assim não fosse o seu casamento com Petronilha de Aragão herdeira da coroa, atribuía a seu filho a descendência real, quanto mais não fosse por via materna.

Sexta-feira, Junho 08, 2007

Novos conflitos entre Leão, Castela e Portugal

No dia 31 de Agosto de 1158, morre inesperadamente em Toledo o rei Sancho III de Castela.

Entretanto logo em Setembro desse ano, D.Afonso Henrique entra à frente dos seus exércitos em territórios de Toroño. Desconhece-se objectivamente a razão imediata do ataque do rei de Portugal, mas não pode afastar-se a ideia de que tivesse conhecimento do acordo de Sahagún, assinado em Maio desse mesmo ano pelos dois irmãos e quisesse aproveitar as dificuldades anteriormente referidas, por Fernando III face ás suas revoltas urbanas na Galiza.

As hostilidades foram curtas pois Afonso Henriques encontra-se com Fernando II em Cabrera, no dia 14 de Novembro de 1158, estabelecendo entre eles um acordo de tréguas, pois o rei de Leão precisava de oportunidade para resolver os seus problemas internos, além de se ter envolvido no problema de sucessão de seu irmão, muito embora contrariando o disposto nos acordos de Sahagún, visto existir um herdeiro legítimo de Sancho III, ( embora com apenas 3 anos de idade), filho do seu casamento com Branca de Navarra ,o futuro Afonso VIII.

Para além da continuação dos ataques de Fernando II a Castela infrutíferos nos seus objectivos, atendendo à resistência castelhana, D.Afonso Henriques manteve-se dominando no território de Tui, como viria acontecer até 1165.

A estratégia de ataque de D.Afonso Henriques mais uma vez havia resultado, muito embora beneficiando da morte de Sancho III, com 23 anos e que terá "transferido" uma coligação agressiva contra Portugal, para um conflito entre ambos.

A 30 de Janeiro de 1160, Afonso Henriques recebe em Santa Maria del Palo, perto de Tui, o conde de Barcelona, Raimundo Berenguer IV com quem negociou o casamento de sua filha, a infanta Mafalda, nessa altura com 6 ou 7 anos, com o filho desse conde e de sua mulher Petronilha, herdeira do trono de Aragão, na altura com apenas 3 anos.

A importância deste encontro encontro, foi definitiva na consolidação na historiografia peninsular do conceito dos 5 reinos que perdurou durante séculos em Espanha, como indiscutível.

Acordo de Sahagún em Maio de 1158

As relações entre Portugal e os reinos de Leão e Castela, vão iniciar um novo ciclo de tensões, que irão ter algumas repercussões.

A morte de Afonso VII aconteceu em Fresneda no dia 21 de Agosto de 1157.

Dois anos antes ele tinha decidido dividir em testamento o seu reino pelos dois filhos, deixando Castela ao mais velho Sancho III e Leão ao mais novo Fernando II, muito embora a descendência destes ainda não estivesse assegurada, pois já com 20 anos mantinha-se solteiro e Sancho um jovem filho, o futuro Afonso VIII, apenas com 2 anos.

Era pois este o quadro sucessório, quando da morte de Afonso VII.

Nos primeiros tempos Sancho III consolida o seu domínio, confirmando os compromissos com os seus vassalos, Sancho VI de Navarra, o emir de Valência e o seu aliado Berenguer IV de Barcelona, garantindo a paz para leste do seu reino.

Fernando II, também rei da Galiza, parte integrante de Leão, já teve que enfrentar algumas revoltas populares em várias cidades.

Sancho III aproveitou-se da situação e invadiu algumas terras do reino de seu irmão, mas o conflito, vira a ser sanado, através de um acordo assinado pelos dois irmãos em Sahagún no dia 23 de Maio de 1158 que consistiu nos seguintes pontos:
  • Manutenção do traçado fronteiriço estabelecido por Afonso VII
  • Os reinos seriam transmitidos aos herdeiros do rei seu irmão, caso algum deles morresse sem descendência
  • Ajuda mutua militar se algum dos reinos fosse atacado
  • Repartir entre si o reino de Portugal, se o pudessem reaver
  • Considerar direito exclusivo dos dois reinos, território muçulmano a conquistar, definindo as áreas reservada a cada um deles, excluindo Portugal de qualquer direito de conquista, opondo-se ao alargamento de Portugal á custa do território muçulmano.
Muito embora não pareça ter havido nenhuma acção armada contra Portugal no imediato, não podia D.Afonso Henriques ao ter conhecimento de agressivo acordo aos seus interesses, manter-se indiferente.

Quinta-feira, Maio 31, 2007

A conquista de Alcácer do Sal


Entre 1147 e 1151 não há notícia de feitos militares ou outros de importância significativa. 4 anos passados depois da conquista de Lisboa, não inteiramente dedicados ao descanso, pois algumas decisões foram tomadas sobre a administração do reino, com a concessão de forais, doação de terras a cruzados que o ajudaram na conquista de Lisboa.

Foi tempo de família,com o nascimento de 2 filhos legítimos.


Naturalmente que os olhos se voltavam, para outros horizontes que arvoravam bandeiras muçulmanas, donde seria sempre possível esperarem-se novos ataques mas também apetecíveis locais de saque.


A consolidação desta estratégia apontava a sul para Alcácer do Sal, povoação muito antiga cuja ocupação remonta ao paleolítico, mas foi a partir do período romano que Alcácer do Sal assumiu papel de importante relevo na vida económica do Alentejo. Conhecida por "Salatia Urbs Imperatoria", a cidade tinha moeda própria e direitos iguais aos municípios romanos.

Sob o domínio visigótico, Alcácer constitui-se como cidade episcopal, cujo bispo era S. Januário Mártir.Durante o domínio árabe passa ao nome de Al-Kassr, donde provém o topónimo actual - Alcácer do Sal.

Pelo menos desde 990 que Alcácer se tornara um grande centro árabe, que aí construíram estaleiros para construção naval, donde partiram expedições como por exemplo a frota que atacou violentamente Santiago de Compostela em 997.

Grande centro comercial, devido ao porto, entreposto entre Évora e Badajoz, ou que subindo o Sado, podiam relativamente aproximar-se doutra via fluvial o Guadiana, que desembocava nas costas algarvias.

Conta-se nos Anais de D.Afonso que terá havido uma primeira tentativa de assalto à frente de uma reduzida força de assalto de 60 cavaleiros que, pretendendo explorar o elemento surpresa, foram vigorosamente repelidos pelos defensores, que lograram ferir o soberano, mas
os Anais não aponta para nenhuma data, pelo que o acontecimento carece de confirmação.

Em 1153 há uma segunda tentativa de conquista de Alcácer, desta vez com a ajuda de cruzados comandados por Thierry conde de Flandres, que se dirigia à Síria, mas esta coligação foi derrotada.


Em Abril de 1159, pela terceira vez, tenta de novo a conquista desta feita sem aliança, apenas com as sua próprias forças militares, conseguindo em 24 de Junho de 1159, 30 anos depois da batalha de São Mamede, a conquista da fortíssima praça de Alcácer do Sal.


Mais uma vez deixa que os mouros depois de derrotados, partam com as suas famílias, que irão ocupar alguns dos férteis terrenos do Sado.

Com esta conquista ficará mais fácil o próximo alvo no Alentejo, a conquista de Évora e Beja.

Sábado, Maio 05, 2007

Gilberto de Hastings-Bispo de Lisboa

...foi eleito para a sede episcopal um dos nossos, Gilberto de Hastings, tendo dado o seu assentimento para a eleição o rei, o arcebispo, os bispos, o clero e todos os leigos. No dia em que se celebrava a Festa de Todos os Santos, em louvor e honra do nome de Cristo e da Sua Santíssima Mãe, foi feita a purificação do templo pelo arcebispo e por mais quatro bispos sufragâneos e restaurada a diocese como sede do episcopado, com os seguintes castelos e terras: para além do Tejo, o castelo de Alcácer, o castelo de Palmela, a zona de Almada; aquém do Tejo, o castelo de Sintra, o castelo de Santarém, o castelo de Leiria. Os limites vão do castelo de Alcácer até ao castelo de Leiria e do mar, a ocidente, até à cidade de Évora.
(da CARTA DO CRUZADO SOBRE A CONQUISTA DE LISBOA)


Foi pois Gilberto de Hastings o primeiro bispo de Lisboa após a conquista da cidade aos mouros em 1147 e a subsequente restauração da sua diocese, após um aparente interregno de 4 séculos, pois tería continuado a existir um bispo moçárabe na cidade de Lisboa, mesmo sob domínio muçulmano.

De origem inglesa, integrava a armada que se destinava à Terra Santa , na Cruzada anteriormente referida que aportou ao Porto , tendo sido "convencidos" a atacar Lisboa.

O juramento de obediência do novo bispo de Lisboa a D. João Peculiar fez da diocese restaurada sufragânea do metropolita bracarense, contrariamente ao que acontecia no tempo visigótico em que era dependente de Mérida.

Correspondendo aos desejos de D-Afonso Henriques em não depender apenas politicamente, como também espiritualmente, do domínio hegemónico de seu primo, Afonso VII de Leão e Castela.


Assim aconteceu igualmente no que toca aos ritos instituídos por Gilberto, os seguidos pela igreja de Salisbury, em Inglaterra e pelos quais a Igreja portuguesa se regeu até 1536

O porquê da nomeação dum bispo inglês, é difícil de explicar, mas a verdade é que segue uma linha de deliberada ruptura na sequência do que já seu pai havia feito nos territórios reconquistados, com Maurício Burdino em Coimbra em 1098, Hugo no Porto em 1113 e Geraldo em Braga em 1099, todos de origem francesa.

O bispo de Lisboa, teve que contar com a subtracção à sua jurisdição de vastos territórios entregues a outras instituições como a abadia de Claraval, com os seus previlégios de isenção canónica. Ou especialmente aos Templários a quem o rei ofereceu direitos sobre Santarém, e aos cónegos regrantes de Santa Cruz de Coimbra a quem doou Leiria


Foi o criador das paróquias de São Vicente de Fora,Mártires e Santa Justa .

Morreu em 27 de Abril de 1166 , tendo sido sepultado na Sé de Lisboa .


Quinta-feira, Abril 19, 2007

A conquista de Lisboa- A rendição

Ao fim de algum tempo de cerco os alimentos começaram a faltar. Um ataque mais impetuoso após a construção duma terceira torre pelos anglo-normandos, permitiu um assalto que levou os sitiados a pedir tréguas.

Os mouros consideraram-se perdidos e pediram tréguas de 24 horas para se poder negociar a capitulação. Fernão Peres Cativo e Herven de Glanville o comandante inglês, foram os negociadores pelo lado cristão, exigindo como garantia, da sua rendição que os mouros entregassem 5 reféns, que foram postos sob a guarda do Rei de Portugal.

Muitos Cruzados se insurgiam contra esta situação, considerando que deviam ser eles a guardar os reféns, porque temiam uma traição do Rei português (pelos vistos a sua fama não era a melhor).

D.Afonso Henriques decidiu então negociar a rendição, passando para segundo plano esta questão vinda principalmente dos alemães e flamengos.

A rendição foi então negociada neste termos " a cidade render-se-ia ao Rei, ficando o alcaide e um seu genro com tudo o que lhes pertencesse e os demais habitantes só com as vitualhas que tivessem".

De novo a confusão se instalou, pois este novo acordo contrariava o que fora previsto no contrato inicial entre o Rei e os Cruzados.
Acusavam D.Afonso de favorecimento aos mouros, chegando a amotinar-se e a criar grande confusão.

Esta atitude exigiu um endurecimento da posição do Rei de Portugal, ameaçando abandonar o cerco por "preferir a própria honra ao senhorio de Lisboa".

A 23 de Outubro finalmente o acordo, com a aceitação pelos Cruzados , das condições acordadas pelo Rei de Portugal.

Primeiro entrou no castelo uma guarda avançada composta por 140 anglo-normandos e 160 alemães e flamengos, para os mouros lhes entregarem os seus haveres, enquanto inspeccionavam a cidade.

Em 25 de Outubro finalmente precedido pelo chefes militares estrangeiros e pelos bispos portugueses, D.Afonso Henriques entrou no Castelo, e na torre mais elevada colocou uma cruz de Cristo.

Algumas escaramuças foram acontecendo,as atrocidades foram mínimas em especial atribuídas aos cruzados alemães e flamengos e nesse mesmo dia os mouros começaram a abandonar a cidade.

A vitória estava consumada e Lisboa o principal porto da Península Ibérica, não mais voltaria a ser dominado pelo mouros. Ao mesmo tempo os castelo dos arredores de Lisboa como Sintra , Palmela e Almada de imediato se submeteram ao Rei de Portugal

Terça-feira, Abril 17, 2007

A conquista de Lisboa- As hostilidades



(O Cerco de Lisboa, por Roque Gameiro)

Após as tentativas fracassadas de rendição pacífica, iniciaram-se as hostilidades no dia 1 de Julho de 1147 depois dos atacantes se terem disposto em 3 frentes : os Alemães e os Flamengos a oriente, os Ingleses e Normandos a ocidente e os Portugueses a norte.

Algumas querelas anteriores tinham acontecido, logo na chegada dos diversos grupos quer de cruzados, quer de Portugueses, atingindo populações que viviam fora das muralhas, que morreram ou nas refregas que foram acontecendo ou no fogo que os cruzados puseram ás casas logo no primeiro dia de combate.

Edificam-se logo duas igrejas para servir as tropas sitiantes e para dar guarida a sepultura dos mortos que fossem ocorrendo.

Uma delas a que foi construída junto à localização dos cruzados Ingleses e Normandos, seria a primeira implantação da Igreja dos Mártires a outra junto ao acampamento alemão, foi o local onde se estabeleceu o mosteiro de São Vicente de Fora.

Preparam-se máquinas de guerra, aproveitando a presença dum engenheiro de Pisa que acompanhava as forças germânicas. Algumas mais pequenas de simples protecção à aproximação militar ás muralhas, outras de maior porte, montadas em carros, que permitiam atendendo à sua grande altura que se atirassem projecteis à altura das muralhas.
Escavaram-se túneis, para fazer derrubar troços da muralha defensiva, nalguns casos com êxito.

Grande êxito teve o ataque ao castelo de Almada, contando-se centenas de mortos e grande saque , muito embora o mesmo se não pudesse dizer do castelo de Sintra atendendo a sua localização em local inexpugnável.

Os vários pedidos de socorro enviados pelos sitiados ao emir de Évora e muito embora muitos tenham sido interceptados, é certo que algum lá terá chegado, pois conhece-se a resposta que lhes deu o referido "rei", aliás assaz curiosa, se nos lembrarmos do episódio da quebra de tréguas quando da conquista de Santarém, utilizado pelo nosso Rei. Abu Muhammad Wasir terá respondido a Lisboa, não ser possível auxilia-los por " ter de respeitar um acordo de paz com Afonso Henriques"

Recomenda-se a leitura dum documento escrito pelo cruzado R.(aul) a Osberto de Bawdsey,

Carta do cruzado R. com base nas traduções referenciadas na lista de fontes. Com a pregação da segunda cruzada por São Bernardo de Claraval, em 1146 na basílica de Vézelay, com intenção de enviar um grande exército para defesa dos territórios francos na Palestina atacados pelos turcos seljúcidas, uma parte das forças de cruzados, que do Nordeste da Europa se dirigiam por mar para o Médio Oriente, foram aliciados a ajudarem o mais recente rei da Cristandade, D. Afonso Henriques, a combater os infiéis. Este é o relatório que o cruzado R[aul] mandou a Osb[erto] de Baldr[eseia] (Bawssey) , que é a interpretação mais recente, ou que Osb[erto] de Baldr[eseia] mandou a R. Como escreveu Alfredo Pimenta, «o autor, fosse Osberno ou fosse R., parece ter sido padre; era inglês ou normando; e entrou com certeza na conquista de Lisboa. E isso é o que importa acima de tudo .»

http://www.arqnet.pt/portal/pessoais/cruzado_lisboa.html

Segunda-feira, Abril 16, 2007

A conquista de Lisboa- As negociações

(São Bernardo)

Após a conquista de Santarém, D,Afonso Henriques retira para Coimbra, mas por certo a sua preocupação, o seu objectivo concentrava-se em Lisboa, cidade que já tentara em 1142 conquistar, mas em vão, para mais atendendo ás dificuldades que a sua localização geográfica e a guarnição estimada em cerca de 15 000 homens, representavam.

O enquadramento perfeito para a tentativa, conciliava-se com a ajuda que poderia significar para as forças portuguesas o desembarque dum frota de 164 navios transportando 12 a 13 mil cruzados que atracou no Porto.

A pregação de S.Bernardo em várias cidades europeias, havia colhido frutos, na organização duma cruzada de libertação na Terra Santa, cuja frota havia partido de Inglaterra a 23 de Maio de 1147.

Fortes temporais haveriam de desviar a rota das embarcações que aportaram primeiramente na costa asturiana, depois em porto galegos e finalmente no Porto onde desembarcaram a 16 de Junho.
Nessa altura o bispo do Porto D.Pedro Pitões, exortou-os a ajudar D.Afonso na conquista de Lisboa, prometendo-lhes recompensas em dinheiro, dando-se como penhor em garantia a essa promessa régia, seguindo instruções que o Rei lhe havia feito chegar.

Foram acordadas as condições prévias e, a 29 de Junho a frota de alemães, ingleses, normandos e galeses, entre outros,reuniu-se com D.Afonso Henriques para as negociações mais detalhadas, que foram demoradas e difíceis, tendo estado muitas vezes em perigo de ruptura.O acordo finalmente conseguido não foi fácil para o lado português, naturalmente quem mais estava interessado nele mais teve que ceder para o obter, acabando por se basear em 3 questões importantes.
  • Os bens do inimigo pertenceriam aos cruzados; que o saque da cidade seria todos para eles, incluindo prisioneiros e seus resgates
  • Aqueles que quisessem ficar a viver em Portugal, poderiam guardar aqui as liberdades, foros, usos e costumes dos seus países.
  • Gozar de imunidade fiscal, digamos assim, isentados de pagamento de portagens e peagens para os seus navios e mercadorias.
Antes de se iniciarem as hostilidades, os cristãos tentaram convencer os mouros a renderem-se argumentando que a terra da Hispânia, pertencia de direito aos cristãos, como era de prever os anciãos dos sitiados, responderam que não se rendiam, pois o destino dos homens está nas mãos de Deus.

Terça-feira, Abril 10, 2007

Conquista de Santarém-(1147)


(Castelo de Santarém)

Chegara a altura em que, embora reconhecido como rei, pelo seu primo Afonso VII e vassalo do Papa, Afonso Henriques toma consciência da pequenez dos seus domínios. Em definitivo, para Norte ainda que reivindicando possessões de sua mãe a experiência em termos de expansão não tinha surtido efeito, restava-lhe o avanço para Sul, desbravando terras "infiéis", cuja conquista fosse bem mais consentânea com o seu título de cavaleiro de São Pedro, que o papa lhe atribuíra.

A sul, onde grassava alguma desordem resultante dum novo fundamentalismo religioso, assumido pelos almôadas, que vinham substituindo os antigos corruptos almorávidas, podia ser uma possibilidade, equiparada ao prestígio das Cruzadas

Santarém torna-se então de primordial importância na estratégia de desenvolvimento, primeiro por ser um ponto forte de partida para os ataques que eram feitos a Leiria e Coimbra e depois como praça fundamental na defesa de Lisboa, que não seria conquistável, sem primeiro se conquistar Santarém.


É nesta linha de pensamento que actualmente incidem as opiniões dos historiadores medievalistas, que associam a conquista de Santarém ao facto de terem sido anteriormente "negociados" os apoios que viria a receber para concretizar a conquista de Lisboa.

Sendo pois imperiosa a conquista de Santarém, torna-se evidente que só um ataque de surpresa, poderia surtir efeito para tomar de assalto uma praça tão forte.


A surpresa sugere penetração na cidade durante a noite e exige segredo, "o segredo exige o pequeno número de combatentes, o pequeno número exige uma selecção rigorosa (J.Mattoso).


Assim na madrugada do dia 15 de Março de 1147, o pequeno grupo (talvez 120 pessoas) entra na cidade e submete-a rapidamente.


Tal foi a facilidade da conquista em apenas uma noite, sendo Santarém uma praça muito forte e rica, em contraste com os quatro meses que foram necessários para a conquista de Lisboa, que se pode questionar se não teria havido conivência de parte de alguém dentro da cidade.


Havia em Santarém muitos habitantes moçárabes (cristão de cultura árabe), pois a cidade apenas havia estado sob ocupação almorávida entre 1111 e 1140.


Outra questão interessante, conta-se, foi a forma que Afonso Henriques utilizou para romper as tréguas estabelecidas, entre as tropas portuguesas e Santarém, já que os usos da época determinavam que se não podia atacar havendo tréguas, sem primeiro avisar o inimigo.


D.Afonso Henriques terá então enviado Martin Mohab, numa terça-feira a Santarém dizendo que as tréguas estavam "rotas por três dias", mas atacou dois dias depois do prazo indicado.

A isto chamou Alexandre Herculano uma "perfídia", outros dirão que foi muito inteligente e hábil, típica da arte de guerra.


D.Afonso Henriques foi muitas vezes hábil, demasiadas vezes esperto em fazer acordos e rompê-los, assim começámos a ser Portugal.

Sexta-feira, Abril 06, 2007

A descendência real-os bastardos

Além dos legítimos, teve D.Afonso Henriques mais quatro filhos fora do casamento, ilegítimos como então se chamava.

Facto aliás muito pouco anormal na idade média, sendo o concubinato uma prática corrente.

De Flâmula Gomes teve dois rapazes, além do já referido Fernando Afonso, outro de nome Pedro Afonso e ambos concebidos antes do casamento com D.Mafalda em 1146.

Pedro Afonso foi senhor de Arega e Pedrogão, alcaide de Abrantes em 1179 e alferes do rei entre 1181 e 1183, mas existe pouca documentação sobre a vida desta personagem.

Depois de enviuvar com 48 anos, volta a ter mais duas filhas de uma mulher chamada Elvira Gualtar e que se chamaram Teresa Afonso e Urraca Afonso.

Atente-se pois que muito embora tenha tido 4 filhos ilegítimos, não existem provas de promiscuidade durante o casamento, pois os 2 primeiros filhos foram concebidos antes de casar e as duas filhas concebidas depois de enviuvar.


Quarta-feira, Abril 04, 2007

A descendência real-os legítimos

O infante primogénito nasceu a 5 de Março de 1147, foi-lhe dado o nome de Henrique em homenagem a seu avô, mas morreu com apenas 8 anos.

Depois dele 3 filhas Urraca (nascida em 1148), Teresa (nascida em 1151) e Mafalda (nascida em 1153), só depois nasceria em 1154 Sancho e que viria a ser o herdeiro do trono, mas a quem foi dado inicialmente o nome de Martinho, por ter nascido no dia 11 de Novembro.

Só depois da morte do irmão Henrique, lhe foi mudado o nome para Sancho, perante a evidência de vir a ser ele o sucessor de D.Afonso Henriques. Talvez porque o nome de Martinho, não tivesse "conotações régias", lho tenham mudado, mas Mattoso pergunta com alguma propriedade pelas razões que levaram a escolher o nome de Sancho, relacionado com os reis de Navarra.

Depois de Martinho(Sancho), a rainha ainda foi mãe por mais duas vezes dum filho de nome João (nascido em 1156) e Sancha (nascida em 1157).

Além de Henrique , também não chegaram a adultos Mafalda que morreu com 11 ou 12 anos, D.João que morreu com 7 anos e Sancha com 10.

A idade adulta portanto apenas chegaram Sancho, D.Urraca e D.Teresa.

D.Urraca viria a casar em 1160 com o rei Fernando II de Leão que tinha começado a reinar em 1157, após a morte de Afonso VII em 21 de Agosto, na repartição do Império dividido com Sancho III em Castela.

Este casamento só durou 11 anos, pois em 1171 papa Alexandre III procedeu á anulação desse matrimónio, com o fundamento na falta de dispensa de parentesco, atendendo a serem primos segundo, pois as respectivas avós (Urraca e Teresa) serem irmãs.

A outra irmâ D.Teresa, foi uma figura importante.Não tendo sido prometida em casamento, foi educada presumivelmente por D.Teresa Afonso, viúva de Egas Moniz, pois como era costume na época os infantes não eram criados pela mãe mas entregues a alguém da nobreza que se encarregava da respectiva educação.

Consta-se ter sido a filha predilecta do rei, tendo sido durante muito anos sua grande colaboradora que a associou a diversas tarefas importantes, nomeadamente depois do desastre de Badajoz em 1169, com mais adiante se verá.

Só veio a casar-se em 1184, já com 33 anos um ano depois da morte de seu pai, com Filipe da Alsácia, o que demonstra a deliberação assumida eventualmente pela própria e pelo seu pai, de não ter querido relacionar-se mais cedo, já que também existem fontes que asseguram o facto de ter sido muito bela e inteligente.

Mesmo sua irmã Mafalda, que morreu com 11/12 anos, não deixou de se casar com o princípe Afonso que viria a reinar mais tarde em Aragão com o nome de Afonso II, muito embora não tenha sido consumado o casamento, que bem demonstra como eram prematuros os acontecimentos naquele tempo.

O jovem herdeiro Henrique afinal até havia "representado" o seu pai em Toledo num concílio com apenas 3 anos, muito embora acolitado pela voz de D.João Peculiar



Quinta-feira, Março 22, 2007

A Raínha D.Mafalda de Sabóia

Quem foi então a nossa primeira Rainha ?

Era filha de Amadeu II, conde de Sabóia, Maurienne e Piemonte, e da condessa Mafalda de Albon. Ignora-se a data do seu nascimento, muito embora se se atender ao facto de ter sido mãe em Maio de 1147, atendendo a que terá casado em 1146, é crível, que andaria nessa data pelos 16-20 anos, pelo que se poderá deduzir que tenha nascido entre 1126 e 1130.

O casamento com o nosso monarca foi provavelmente em 1146. O certo é que só em Julho desse ano figura nos diplomas públicos o nome da soberana, com a forma de Mahada, tradução de Mahaut, nome da princesa de Sabóia.

Da vida da rainha pouco se sabe, mas fica a ideia que não teria muito bom feitio, não sendo bom o seu relacionamento com o prior de Santa Cruz, S.Teotónio.

Um dos conflitos relatados, aponta a sua teimosia em pretender visitar os claustro interiores do mosteiro de Santa Cruz, que Teotónio terá recusado, para não infringir as regras do mosteiro.


Como grande parte das fontes da época, a credibilidade das mesma deixa por vezes muito a desejar, sendo frequente na literatura religiosa da época, referências pouco lisonjeiras a mulheres que ousavam destacar-se enfrentado o poder, fosse civil ou religioso.

Algumas considerações mais românticas insistem em atribuir á vida desta Rainha um certo estigma de infelicidade, pela vivência que o marido lhe proporcionou."Veio encontrar um marido que amava outra mulher e já tinha dela dois filhos" (segundo DF Amaral) e esses desgostos amorosos causados pelo marido, ter-lhe-ão torturado o espírito, que fez "azedar-lhe o feitio.

Pessoalmente coloco algumas reservas a esta concepção, que me parece desajustada, dos conceitos do relacionamento entre casais no século XII. Acrescentado contudo um facto bastas vezes referido, por vários cronistas, que atribuem a D.Afonso Henriques um temperamento colérico.

A sua função materna, essa cumpriu-a em pleno, em apenas 12 anos de casamento, foi mãe de 7 filhos, tendo morrido no parto da última criança, a infanta Sancha em 4 de Novembro de 1157

Não constam nenhuns actos notáveis de que tomasse a iniciativa, além das muitas fundações de piedade e penitência que os cronistas lhe atribuem; como, porém, muitas vezes se confunde a mulher de D. Afonso Henriques com a infanta de Portugal e rainha de Castela, do mesmo nome, filha de D. Sancho I, nem todas as fundações que as crónicas lhe atribuem terão sido realmente dela, mas sim da neta.

Também lhe é atribuída a iniciativa da construção de uma ponte sobre o Douro (perto de Barqueiros) e outra sobre o Tâmega. Está sepultada em Santa Cruz de Coimbra junto do marido.

PS.-Muito embora na maior parte dos documentos da época, apareça com o nome de Mafalda, subsistem dúvidas se o nome dela não seria Matilde

O casamento-A escolha da Raínha

Não querendo "romantizar" em demasia a ideia expressa por Diogo Freitas do Amaral, abordada em postagem anterior, que Châmoa Gomes, mãe de 2 filhos seus , seria o "grande amor" da sua vida, o certa é que aos 35 anos D.Afonso Henriques continuava solteiro, era preciso tratar do seu casamento e não seria concerteza Châmoa Gomes a eleita para a "função" de Rainha.

Levando ainda mais longe a sua teorização romântica, Freitas do Amaral, diz ainda que D.Afonso Henriques terá tentado casar com Châmoa, mas não o terá conseguido, pois naquele tempo de indiscutível autoridade da Igreja Católica os Reis não podiam casar com as amantes e os filhos ilegítimos não podiam suceder-lhes na coroa.

Quanto á possibilidade da amante, deixar de o ser pelo casamento, também, não se poderia colocar, já que Châmoa Gomes, depois de enviuvar do seu primeiro marido, professara no mosteiro de Vairão, logo era Devota (de vota consagrada a Deus) e impedida de se casar.

Muito embora não haja qualquer prova documental, há quem afirme que D.Afonso terá casado com Châmoa, muito embora esse casamento tenha sido anulado pouco tempo depois.

Por outro lado a vassalagem prestada ao Papa com intuito de se promover a independência do Reino, tornava imperativo que D.Afonso Henriques se assumisse como um monarca católico e bem comportado.

Por outro lado os conselheiro do Rei não iriam admitir um casamento com uma familiar dum magnate galego, pois Chamoa era sobrinha do galego Peres Trava.

Quem escolher afinal para Rainha ?

Para alguns a deliberação de D.Afonso Henriques e seu conselheiros, em especial Egas Moniz e D.João Peculiar, teriam sido o de escolher noiva fora do âmbito da monarquia leonesa, não escolher mulher nem na Galiza, nem em Leão, indo buscar uma aliança mais longe.

O que mais uma vez demonstraria, segundo eles, o verdadeiro sentido de Estado do rei D.Afonso e seus conselheiros.

Para outros, por exemplo José Mattoso, a esta hipótese falhou por razões bem mais comezinhas, parece que nenhuma casa real da Península estaria interessada em casar uma sua princesa, com alguém que afinal era apenas duque, conforme o Papa Lúcio II o havia bem recentemente apelidado.

A escolha acabou por recair na filha de Amadeu III conde de Saboia, um condado autónomo não muito conhecido nas cortes peninsulares, mas nem por isso menos importante, como alguns cronistas da época julgavam, por certo por desconhecimento.

Uma das suas irmãs era rainha de França, por casamento com Luís VI, mãe do novo rei Luís VII, pelo que afinal D.Afonso Henriques viria a casar com a sobrinha dum dos Reis mais poderosos da cristandade

Domingo, Março 18, 2007

Devotionem tuam-A resposta do Papa-(1144)

Apesar das mortes quase seguida dos papas Inocêncio II e Celestino II, o novo papa Lúcio II respondeu ás pretensões portuguesas expressas na carta Claves regni de Dezembro do ano anterior.

A carta é habilidosa no sentido em que não aceita (ou recusa) por inteiro as pretensões enunciadas pelo rei português, fica-se por alguma meia-tinta diplomática, como aliás também se pode entender seja a sua atitude face aos dois reis cristãos de península ibérica.

Quais são os aspectos negativos ?

Não trata D.Afonso Henrique por Rei, trata-o simplesmente por "Ilustre duque portucalense", chama a Portugal terra e não reino, não fala em independência nem promete expressamente a protecção requerida, contra o poder de qualquer senhorio secular. (cf.D.F.Amaral).

e os aspectos favoráveis ?

Aceita a vassalagem e o tributo anual em ouro prometido considera D.Afonso Henriques como ovelha que Cristo recomendou a guarda de Pedro, reconhecendo a luta desenvolvida contra os pagãos e exprime o voto que, D.Afonso permaneça sempre defendido do assalto dos inimigos visíveis e invisíveis e protegido por S.Pedro tanto nas almas como nos corpos.(Cf.D.F.Amaral).

Não pode contudo deixar de se salientar, que muito embora a carta não tenha correspondido em absoluto ás pretensões portuguesas é um facto que desta carta escrita a 1 de Maio de 1144, resulta que a vassalagem proposta pelo rei de Portugal foi aceite e por consequência estaria implícito que assumiria os respectivos deveres.

José Mattoso afirma que não se conhece nenhuma reacção de D.Afonso VII de Leão á vassalagem proposta pelo rei Português antes de 1148, data em que terá tido conhecimento desta carta, o que faz jus á conclusão que se Devotionem tuam, não tivesse efeitos positivos para a autonomia portuguesa por certo Afonso VII não se teria dado ao incómodo de protestar junto da Santa Sé.

O protesto fundamentava-se que o Papa, lhe estaria a "diminuir o senhorio e a dignidade e quebrar os foros da monarquia e de que tivesse aceitado algumas coisas de Afonso Henriques e concedido outras que este pretendera, de modo que os direitos da coroa leonesa eram lesados, ou antes destruídos, com uma injustiça não transitória, mas perpétua", conforme Alexandre Herculano diz na sua História e Portugal


Sexta-feira, Março 16, 2007

Soure-O último ataque muçulmano-(1144)


Existem divergências quanto à fundação do Castelo de Soure, argumentando alguns que o conde D.Henrique outorgou foral à povoação em 1111 e outros atribuí-la aos muçulmanos.

Há consenso que o castelo foi erguido apressadamente, como não será difícil deduzir atendendo à sua condição de território fronteiriço, tendo sofrido em várias ocasiões assaltos de forças muçulmanas.

Em 1116 deu-se um dos ataques mais violentos, que visava retomar Coimbra, fugindo a população que depois de incendiar o castelo se refugiou em Coimbra.

Mais tarde, a condessa D. Teresa concedeu(1128) à Ordem do Templo o Castelo de Soure e todas as terras entre Coimbra e Leiria, vindo a constituir estes domínios a sede da Ordem em Portugal.

Supõe-se que, após essa investida muçulmana e a destruição do castelo de Soure, Martinho Árias foi encarregado de ali restaurar a igreja e de prestar assistência religiosa aos moradores.

Não há contudo nenhuma notícia de qualquer intervenção dos Templários em operações militares até 1144. A suas forças organizativas estavam mais empenhadas na gestão das numerosas terras que lhe haviam sido entregues em França e noutros países

S. Martinho de Soure, apesar de não ser natural de Soure, veio para esta localidade, (era cónego da Sé de Coimbra), com o seu irmão Mendo, também eclesiástico do mesmo cabido

Segundo o cronista, em 1144, o governador de Santarém Abu-Zakaria ocupou Soure, que destruiu, levando cativa parte da população para Santarém, com excepção de Martinho Árias, que foi conduzido a Córdova, onde vivia a morrer anos mais tarde.

Esta derrota é ilustrativa da má preparação acima referida, contudo o contingente templário terá sido bastante reforçado atendendo à importante ajuda que prestaram a D.Afonso Henriques quando da conquista de Santarém.

Não há informação de mais nenhum ataque muçulmano ao Reino de Portugal após esta data.

Quinta-feira, Março 15, 2007

A vassalagem ao Papa-(1143)

Na Idade Média existia um conceito, chamado "liberdade romana" que consistia em que "o mosteiro,ou diocese, ou reino, a que era concedida, ficava isento dos poderes civis ou eclesiásticos do lugar a que antes estava sujeito, reconhecendo para o futuro só a autoridade do romano Pontífice ou dos seus legados, ao qual ficava pagando um censo módico".

Ora habilmente, foi neste preceito que D.Afonso Henriques por certo aconselhado pelos seus "assessores", se baseou em tentar junto do papa Celestino II*, esta benesse que a ser-lhe concedida, traria para sempre a liberdade da dependência feudal do Imperador de Leão.

Isto aconteceu menos de 3 meses depois de Zamora a 13 de Dezembro de 1143, data da carta, onde declarava que tinha feito homenagem à Sé Apostólica, nas mãos de o cardeal Guido e que se obrigava a pagar à Santa Sé o censo anual de 4 onças de ouro, sob condição de o papa defender a sua honra e a dignidade da sua terra.Afirmando também que só reconhecia a autoridade do Papa e de mais nenhum poder eclesiástico ou secular.

Através desta carta Claves regni (as chaves do Reino), D.Afonso Henriques intitula-se"Afonso por graça de Deus Rei de Portugal", decide enfeudar o reino de Portugal á Santa Sé, carta confirmada por D.João Peculiar, arcebispo de Braga, D.Bernardo, bispo de Coimbra e D.Pedro, bispo do Porto.

Segundo Diogo Freitas do Amaral "o significado jurídico e político desta carta, tratou-se do que modernamente se designa por declaração unilateral de independência, no sentido de não acordada ou pactuada com Afonso VII de Leão.

Este foi com certeza o momento decisivo na independência de Portugal.

Um aspecto por esclarecer, prende-se com a não reacção de Afonso VII ao facto de segundo o que se diz nesta carta "que tinha feito homenagem à Sé Apostólica, nas mãos de o cardeal Guido" sendo que eventualmente isso tenha acontecido em Zamora dois meses antes.

Com se compreende que Afonso VII, não tenha então reagido a esse acto contrário aos seus interesses ?

Parece claro só existirem duas possibilidades ou não soube, podendo ter acontecido um encontro entre o cardeal Guido e D.Afonso, sem o seu conhecimento, ou soube e Guido de Vico lhe tenha assegurado que o acto de seu primo em nada o prejudicaria.

Afonso VII foi realmente enganado, pelo menos no plano ético, resta-me saber se esse conceito é apenas uma visão desajustada das práticas na Idade Média.


*-Alguns autores indicam Inocêncio II como o papa a quem Afonso Henriques enviou a Clóvis Regni, porém esse Papa já havia morrido em 24 de Setembro, sendo Celestino II papa desde 3 de Outubro de 1143.

Certo que só foi papa alguns meses, pois morreu em Março do ano seguinte.

Terça-feira, Março 13, 2007

O Tratado de Zamora-(1143)


(Catedral de Zamora)

O Tratado de Zamora foi o resultado da conferência de paz entre Afonso Henriques e o rei Afonso VII de Castela e Leão , a 5 de Outubro de 1143.

Tratado de paz celebrado na presença do legado papal Guido de Vico onde é reconhecido ao infante português o título de rei.

Após cerca de três anos sem hostilidades entre os dois territórios vizinhos, o encontro de Zamora serviu para definir as cláusulas da paz e, possivelmente, os limites de cada Reino.

Recorde-se porém que os três anos de paz, aconteceram não porque o rebelde rei português, tenha a acatado a paz que havia sido estabelecida em Tui em 1137, mas por consequência de uma nova paz ajustada em Valdevez em 1140.

Efectivamente Afonso Henriques, pela 5ª vez em 10 anos, voltara a invadir a Galiza, cercando e tomando Tui em Agosto de 1140.Enorme paciência teve Afonso VII, para com o seu irrequieto primo, para de novo o forçar a voltar à Galiza, retomando com as suas hostes, locais que haviam sido tomados pelos portugueses.

Como era então costume na Idade Média, ajustou-se então a realização de um torneio, entre um número limitado de cavaleiros portugueses e leoneses.

Consta-se que o resultado da refrega foi favorável ás forças portuguesas e que na sequência se teria ajustado em "cessar-fogo", por alguns anos até que "depois com mais sossego, se pudesse assentar uma paz definitiva e duradoira" (Alexandre Herculano)

Ao mesmo tempo,nessa Conferência, foi reconhecido o título de rei a D. Afonso Henriques, reafirmando-se os seus laços de vassalagem em relação a Leão.

Será muito interessante notar-se que a data da conferência de Zamora aconteceu em 4 e 5 de Outubro de 1143 e que a implantação da Republica igualmente aconteceu em 5 de Outubro de 1910, concluindo-se que aconteceram 767 anos de monarquia em Portugal, se se considerar a data de Zamora como a da fundação da nacionalidade.

Teoria discutível dado que, o que aconteceu em Zamora foi apenas o reconhecimento por Afonso VII da condição de rei a D.Afonso Henriques, que servia perfeitamente os seu interesses dado que pretendia lhe fosse reconhecido o título de Imperador e portanto aumentava o seu prestígio ter reis como vassalos.

Certo é que após esta data , não tenha acontecido mais nenhum conflito grave entre Afonso Henriques e Afonso VII.

Sábado, Março 10, 2007

Chamoa Gomes e o primeiro filho


Não foi por certo fruto de primeiras experiências amorosas, mas foi em 1140 que D.Afonso Henriques foi pai pela primeira vez, tinha então á volta de 30 anos.

Fontes de imaginação mais romântica como Diogo Freitas do Amaral, afirmam que foi a mãe desse primeiro filho Chamoa* Gomes, por "quem se enamora intensamente, que será o grande amor da sua vida", que é nem mais nem menos que uma sobrinha de Fernão Peres de Trava.

Chamoa foi primeiro casada com Paio Soares de quem teve 3 filhos, enviuvou, foi monja num mosteiro beneditino. Teve mais tarde um filho de Mem Rodrigues de Tougues, que morreu novo, só depois conheceu D.Afonso Henriques.Talvez a sua vida atribulada lhe tenha valido a alcunha de "A Loba".

Este primeiro filho que se chamará Fernando Afonso, irá desempenhar um papel político importante, mesmo depois da morte de seu pai.

Fernando Afonso, foi eleito grão-mestre da Ordem do Hospital em 1202,provavelmente por influência que sua meia-irmã Matilde de Flandres exercia junto do papa Inocêncio III.

Tendo participado no vergonhoso cerco a Constantinopla em 1204, no âmbito da 4ª Cruzada, pois como se sabe o objectivo era de conquista da Terra Santa.

Neste ano é documentada a sua presença em Acre em Julho de 1204

Demite-se do seu cargo e volta a Portugal em 1206. Segundo o Chronica magistrorum defunctorum (um texto do século XIV) no regresso á pátria foi envenenado "pela sua gente". A sua sepultura está na igreja de S.João de Alporão em Santarém.

(Cf. Mattoso, José - "A Formação da Nacionalidade no espaço Ibérico", História de Portugal, vol. II, (dir. José Mattoso), Círculo de Leitores, s.l., 1993.)

Na foto a velha Igreja de S. João do Alporão, construída durante o século XII.
A Igreja integrava-se numa das portas de acesso à Vila – a Porta de Alporão - e era um ponto fundamental na organização urbana de Santarém.
No século XIV, realizavam-se no local reuniões onde se discutiam os problemas da Vila. Mais tarde, corria o século XVII, chegou a servir de arrecadação a um particular. Em 1910, o edifício foi classificado como Monumento Nacional e hoje é o Museu Municipal de Santarém, onde pode ser visto um valioso espólio arqueológico e cultural.


* Alguns autores chamam-lhe Flâmula Gomes

Quarta-feira, Março 07, 2007

A batalha de Ourique-o "milagre"

(Alexandre Herculano)
A grande religiosidade da Idade Média, foi um dos factores, para o desenvolvimento do carácter místico atribuído á batalha de Ourique. A crença que havia na existência de milagres interventivos na vida dos povos e neste caso colocando Portugal como país amparado pela vontade de Deus.

Em traços largos a Crónica de Duarte Galvão conta-a assim :

"Quando foi finda a tarde, depois que o príncipe fez pôr as guardas no seu arraial, o eremita que estava na ermida, veio até ele e disse-lhe :
-Príncipe D.Afonso, Deus te manda por mim dizer que, pela grande vontade e desejo que tens de o servir, quer que tu sejas ledo e esforçado, el te fará amanhã vencer el-rei Ismar e todos os seus grandes poderes. E mais te manda dizer que quando ouvires tocar uma campaínha que está na ermida, deves sair fora e ele te aparecerá no céu, assim como padeceu pelo pecadores (...)
Desde que partiu o eremita, D.Afonso pôs os joelhos em terra e disse :
-Oh senhor bom Deus todo-poderoso, a quem todas as criaturas obedecem, sujeitas a teu poder e querer, a ti só conheço e agradeço (...) E tu senhor, sabes que por te servir passo muita fadiga e trabalho contra estes teus inimigos, com os quais, por serem contra ti, eu não quero paz nem quero tê-los como amigos.
E desde que isto disse, com outras palavras muito devotas, encomendou-se a Deus e à Virgem gloriosa, Sua mãe. Então encostou-se e adormeceu.
E quando foi uma meia-hora antes da manhã, tocou a campaínha como o eremita dissera, o príncipe saiu fora da sua tenda e segundo disse ele mesmo e deu testemunho em sua história, viu Nosso Senhor em cruz, na maneira que lhe dissera o eremita.
E adorou-o muito devotamente com lágrimas de grande prazer.
(...) Neste aparecimento foi o príncipe D.Afonso certificado por Deus de sempre Portugal haver de ser conservado em reino.
(...) Tudo é para crer que Nosso Senhor quereria e faria a Príncipe tão virtuoso, sobre quem fundara reino e reis, tão virtuosos para o seu serviço e da santa fé católica"

Na mesma Crónica se conta mais tarde que D.Afonso relatou aos seus seguidores o acontecido, nomeadamente a divina protecção prometida, tendo sido depois aclamado por todos como rei de Portugal

"-Real, real por el-rei D.Afonso Henriques de Portugal "

Esta visão sobrenatural da fundação de Portugal, manteve-se convictamente enraizada na consciência nacional durante cinco séculos.

Seria Alexandre Herculano no primeiro volume da sua História de Portugal a por em dúvida o chamado "milagre de Ourique", sendo confrontado na altura com enormes protestos provenientes de sectores católicos mais tradicionalistas.

Domingo, Março 04, 2007

A batalha de Ourique-A aclamação

A importância que a historiografia deu a esta batalha, pelo menos até meados do século XIX, deveu-se ao facto de a ela estar associada a aclamação de D.Afonso Henriques como rei de Portugal, já que esse título aparece pela primeira vez num documento, bem datado, a 10 de Abril de 1140.

Outros de datação menos segura podem apontar para outras datas, mas uma coisa é certa, não foi encontrado nenhum documento autêntico que atribua o título de rei a D.Afonso Henrique anterior a 25 de Julho de 1139 dia em que se deu a batalha.

Não deve contudo considerar-se essa alteração significativa em termos de independência, a mudança operada no foro interno a passagem de condado a reino, pouco alterava a situação de dependência face a Afonso VII.

A atribuição do título de rei foi pois um momento importante sob o aspecto pessoal, mas não significou mais do que mostrar a vontade de ser independente.

A batalha de Ourique começou a assumir o seu carácter lendário, aparecendo pela primeira vez no princípio do sec XIV na Crónica Galego-Portuguesa de Espanha e Portugal.

Começa-se a esboçar a lenda de Ourique:batalha travada contra numerosa força de cinco reis mouros e ganha ou pela força da protecção divina (versão clerical) ou pela valentia dos cavaleiros (versão nobiliárquica).

As fontes árabes silenciam-na, assim como as crónicas castelhanas, omissão que tem sido interpretada como indício seguro de que o confronto, apenas reduzido a uma memória regional, nunca terá tido as dimensões que os textos de Coimbra mais tarde lhe atribuíram.

Na sequência de Alexandre Herculano, admite-se hoje que Ourique tenha consistido num simples fossado, ainda que se conceba que nele pudessem estar envolvidas forças de algumas importantes cidades islâmicas chefiadas pelo respectivo governador ou alcaide, atendendo a que, em 1139, desde Abril, Afonso VII cercava a praça moura de Oreja, motivando a mobilização de tropas provenientes de todo o al-Andalus, podendo ter sido um dos seus contingentes aquele que foi derrotado em Ourique.

É nesta linha que os "modernos" defensores da possibilidade da batalha de Ourique se ter travado mesmo no Alentejo, em traços gerais
  • concentração de exércitos mouros coligados defendendo Oreja, enfraqueceriam as forças no litoral peninsular.
  • durante mais de um mês, as forças de Afonso Henriques, atravessando o Tejo fora das linhas almorávidas, atacaram povoações menos bem defendidas, chegando até a Andaluzia.
  • O governado de Córdova terá reunido algumas tropas, tentando eliminar os atacantes, tendo então sido vencido na campina de Ourique.

Sexta-feira, Março 02, 2007

A batalha de Ourique-A localização

1139-25 de Julho

Não se sabe se o fossado da Ladeia, anteriormente referido, já tinha sido encorajado pelos de D.Afonso VII de 1133, que durante 4 meses devastou os territórios inimigos até á Andaluzia, o certo é que muitos outros se seguiram, alguns com êxito, outros como o de Tomar no ano de 1137, classificado como de "infortúnio" pelos Anais de D.Afonso.

Em fins de Junho princípios de Julho, o príncipe português parte de Coimbra com as suas tropas, em direcção ao Sul com o propósito de retomar e reerguer o castelo de Leiria e em 25 de Julho de 1139 dá-se um batalha , num local que fontes da época e posteriores denominam de Ourique.

A incursão em território inimigo, terá sido interceptado em Ourique pelo rei Esmar, que foi vencido e teve que abandonar o campo de batalha.

Onde se situava então Ourique ?

A resposta é controversa, entre a interpretação clássica que situa Ourique na vila que conserva hoje o mesmo nome a sul de Beja e de Castro Verde, cujo nome designava, uma extensa zona de pastagem.
Perguntando-se os críticos desta tese, como é que o jovem infante conseguiria passar as suas tropas num percurso de mais de 250 quilómetros, sem antes ser interceptado por exércitos inimigos, Com forças situadas pelo menos em Santarém, Lisboa, Palmela, Évora e Beja.

Para responder a esta dificuldade, alguns historiadores, têm proposto como local de batalha, não essa vila alentejana, mas outros locais com o mesmo nome, visto que pelo menos existem mais três :
  • um nas proximidades do Cartaxo
  • outro nas proximidades de Leiria
  • outro junto a Penela
Desde 1900 o prof.David Lopes sustentou, que dadas as posições militares dos portugueses e dos muçulmanos na época, Ourique tinha necessariamente que se situar a norte de Santarém, indicando a localização de "Chão de Ourique" próximo do Cartaxo, apenas 15 quilómetros a sul de Santarém.

Considerando que D.Afonso partiu de Coimbra em direcção ao sul e se defrontou pouco depois com as tropas de Esmar, que lha saíram ao caminho, é lógico concluir-se que Ourique só poderia situar-se entre Leiria e Santarém, sendo nesse caso de excluir todas as outras hipóteses, restando (segundo Freitas do Amaral) a de se considerar como local de batalha o "Campo de Ourique", junto á nascente do rio Lis, na freguesia de Cortes, concelho de Leiria, hipótese colocada pelo Dr.José Saraiva em 1929.

Resumindo
  • Em princípios de Julho D.Afonso sai de Coimbra com o seu exército, para ir recuperar o castelo de Leiria.
  • Apossando-se deste castelo, deixa um punhado de homens a guardá-lo e a proceder á reconstrução do castelo.
  • Continuando para sul, pode ter-lhe ocorrido conquistar Santarém.
  • Esmar governador militar de Santarém, avança para norte, para lhe sair ao caminho.
  • Dá-se então a confrontação em "Campo de Ourique", sendo Esmar derrotado.
Esta hipótese bastante simplista, embora com alguma lógica, afasta outras "divagações" históricas que se foram produzindo durante séculos, sobre a heroicidade do feito, em que a desproporção de forças, entre as hostes portuguesas e muçulmanas, era enorme , atendendo a que do lado "infiel" se alinhavam nada menos do que forças de 5 reis mouros, vindas de Sevilha, Badajoz,Évora e Beja.

Como seria possível ter acontecido tal coligação, se a recuperação de Leiria, intentada por D.Afonso Henriques, ocorreu de repente ?

Poderemos estar contudo a falar de mera coincidência de ocorrências, que levantaria a possibilidade da coligação se estar a preparar para atacar Coimbra, como retaliação ao inúmeros fossados que as hostes portucalenses se tinham habituado a intentar.

Ver-se-á que outros historiadores defendem outras teses, associando o combate militar de Ourique, a outras "coligações divinas", que lhe conferirão o estatuto de milagre

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

A destruição do castelo de Leiria

Em boa verdade a instalação do castelo de Leiria e da restante rede de protecção a Coimbra, não tinha só aspectos defensivos. Também era uma ponte de apoio para ataques organizados a posições muçulmanas.

Também em muitos casos as expedições tinham fins mais modestos sob o ponto de vista da envergadura dos ataques, não se tratava ainda de atacar Santarém, mas pagar de igual modo o que os mouros faziam nas planícies do Mondego.

Passaram pois a organizar-se, fossados, nas regiões mais próximas, nomeadamente na zona da Ladeia, como era conhecida a zona entre Condeixa e Ansião. Passaram esse ataques a ter um certo carácter regular, nomeadamente na Primavera ou no Verão.

Temos portanto que a melhor defesa de Coimbra e os ataques que passaram a sofrer da parte dos cristãos terá criado nos muçulmanos a necessidade de destruição do castelo de Leira.

A datação do forte ataque , torna-se difícil apurar, continuado a existir dúvidas sobre essa matéria, não restando contudo dúvidas, que a destruição do castelo aconteceu realmente.

Fica a sequência mais lógica
  • 10-12-1135-Começa a construção do Castelo de Leiria
  • 1136-Verão-Afonso Henriques dirige o fossado da Ladeia
  • 1136-Novembro-Dá foral a Miranda do Corvo
  • 1136-1137-Fernão Cativo(1) inicia presúria(2) da Ladeia
  • 1137-Afonso Henriques tenta tomar Tui na Galiza-Batalha de Cerneja
  • 1137-Ataque a Leira pelos muçulmanos, ameaçando Coimbra
  • 4-07-1137-D.Afonso Henriques assina apressadamente o acordo de Tui acorrendo a Coimbra para a defender.
Parece ser esta a hipótese mais lógica e que justifica afinal as condições desfavoráveis com que aceitou as condições do pacto de Tui.

Outras hipóteses são colocadas nomeadamente a de Herculano, que refere a possibilidade de terem havido dois ataque destrutivos a Leiria um em 1137 e outro em 1140

(1)-Fernão Peres Cativo-foi o primeiro alferes-mor de Afonso Henriques, uma espécie de chefe de Estado Maior dos tempos modernos.
(2)Presúria-era a ocupação de terras, fossem ela desertas ou cultivadas, neste caso percebe-se que após o fossado da Ladeia, tenha acontecido a tentativa de atraír pessoas á terra conquistada, para a ocupar.

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Coimbra e a sua defesa


(O castelo de Leiria)
Desde que em 1064, Fernando Magno, avô de Afonso VII, conquistou Coimbra aos muçulmanos,a cidade não parou mais de crescer quer em importância, quer em área de ocupação.

Dispunha de uma muralha, construída durante a época árabe com uma área de 22 hectares, de longe a maior da cidades quer em território cristão, quer muçulmano, maior que Lisboa, maior que Silves.Menos de um século após a sua conquista a sua área urbanizada deve ter atingido cerca de 40 hectares.

Também para os almorávidas, era apetitosa a reconquista de Coimbra, depois de anexada a taifa de Badajoz e a posterior conquista de Santarém (1111) e Lisboa(1094), passou a constituir o alvo constante das investidas mouras.

Coimbra desempenhava pois uma intensa actividade comercial, sendo um grande centro de trocas, transacções de produtos comprados ou saqueados aos mouros. Tornava-se portanto imperioso proceder á defesa de Coimbra, uma cidade, na altura, fronteiriça de todo o condado.

Assim se explica uma das primeiras iniciativas tomadas pelo jovem príncipe, a construção do castelo de Leiria (1135).

O local escolhido foi encontrado "num monte situado num lugar muito ermo, entre os confins de Santarém e de Coimbra" (Annalles de D.Alfonsi-B-Walter 1966).

Note-se que o castelo de Leiria, podia afinal desempenhar uma dupla função, além da referida, criava um pólo de ataque contra Santarém.

A guerra fronteiriça desempenhava uma função económica importante. A captura de gado ao inimigo,a captura e o resgate de prisioneiros , o roubo de cabeças de gado e objectos de luxo, facilmente transportáveis, eram importantes fontes de lucros.

Imagine-se pois a frequência de assaltos que eram vítimas os camponeses dos campo de regadio do vale do Mondego, obrigado a acolherem-se dentro de muralhas a cada ataque, abandonando os seus haveres á mercê até de pequenos grupos de ataque.

Outras construções foram edificadas como a dos castelos de Soure, Penela e Arouce, para além da construção de pequenas torres de vigilância.

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

O pacto de Tui(1137)


Foi assinado em 4 de Junho de 1137, entre D.Afonso Henriques e o imperador Afonso VII.
Pela parte portuguesa confirmam o pacto, a arcebispo de Braga D.Paio Mendes e o bispo de Porto, nessa altura já o referido João Peculiar e pela parte leonesa, os bispos de Segóvia, Tui e Orense, sendo de crer que fossem estes prelados quem trabalhasse então na concórdia entre os seus príncipes.
Que dizia então o texto desse pacto ?
  1. O infante D.Afonso prometia fidelidade e amizade ao Imperador, a quem nunca provocaria morte ou dano
  2. Que o infante prometia respeitar os territórios portugueses do Imperador, de tal modo que os não invadiria mais e se algum dos seus barões o invadisse, ele ajudaria lealmente a restituí-los
  3. Que se os filhos do Imperador, quisessem manter a paz, D.Afonso Henriques, ficava obrigado a fazer o mesmo.
A título de "bonus" Afonso VII o Imperador concedia ao infante naquele acto, as terras de Astorga, (que já haviam pertencido a seu pai), pelo qual D.Afonso Henriques, se constituía vassalo de Afonso VII.
A evidente submissão que este acto representa para D.Afonso Henriques, é surpreendente, face até á anterior vitória militar que obtivera em Cerneja.
Quase todos os medievalistas se têm debruçado sobre esta questão.
Dizem uns que a evidência da derrota política de D.Afonso Henriques, que a leitura do texto comporta não corresponde á realidade, pois a documentação que chegou aos nosso dias estaria incompleta, como se comprova o facto de se mencionar apenas a presença do clero no evento, quando deveriam ter estado presentes muito mais entidades, ligadas á nobreza de ambos os lados, pelo que também faltaria nesse texto, os compromissos que o Imperador assumiu para com seu primo.
Para esse estaríamos em presença de um acordo bilateral e não de um pacto de vassalagem.
Para outros a derrota confirma-se pela confrontação de situações antes e depois do pacto.
Antes do pacto Afonso Henriques era o senhor absoluto de todo o sul da Galiza, nomeadamente das províncias de Toronho e Límia, suserano dos condes galegos Gomes Nunes e Rodrigo Peres; vencedor da batalha de Cerneja;senhor da cidade de Tui.
Depois do pacto Perdeu tudo o que tinha adquirido na Galiza e que haviam sido terras de sua mãe e ganhava de volta Astorga, algo que por herança paterna há muito haveria de lhe ser reconhecido.
Talvez tudo se justifique pela necessidade de acorrer a sul do território onde o castelo de Leiria sofria (eventualmente) por essa altura um ataque demolidor. Ver-se-á de seguida.

Afonso VII-Imperador(1135)

(Afonso VII o Imperador)
Grandes alterações nos reinos peninsulares, que aparentemente não dizem respeito ao condado Portucalense, terão todavia no seu desenvolvimento, repercussões importantes no caminho da independência.
Algumas notas soltas
  • Afonso I de Aragão morre em 11.09.1134 sem deixar descendência directa, deixando por testamento o seu reino a 3 ordens religiosas, Templários,Hospitalários e do Santo Sepulcro.
  • Sucede-lhe o seu irmão Ramiro II, monge beneditino, que teve autorização papal para cingir a coroa e voltar a casar.
  • Restauração do reino de Navarra, com Garcia Ramires IV, que estivera sujeita ao reino de Aragão, que presta homenagem a Afonso VII no início de 1135
  • Afonso VII aproveita-se da morte de Afonso I ocupa Saragoça, tendo obtido de imediato de Ramiro II o reconhecimento da sua soberania
  • Como já tinha como vassalos alguns condes como os de Barcelona, Toulouse e Montpellier, a adicionar aos reis acima referidos, fizeram-no ambicionar uma significativa mudança qualitativa no seu estatuto, voltando a assumir um título já anteriormente usado por seu avô, o de Imperador.
  • Afonso VII fez-se coroar imperador em 26 de Maio de 1135 na Catedral de Leão
  • Ainda na sequência da coroação de Afonso VII como Imperador e na sua tentativa de definir com mais clareza as sua relação com Navarra e Aragão, firmou os laços com o Rei de Aragão, Ramiro II, através do casamento do seu filho com Petronilha de Aragão, concedendo-lhe em benefício a cidade da Saragoça, que motivou a revolta do rei de Navarra.
  • D.Afonso Henriques aproveita a ocasião e volta a ocupar os condados de Toronho e Límia. Defrontando as forças inimigas comandadas por Fernão Trava e o conde de Sarría na batalha de Cerneja.
  • Outra razão de queixa do Imperador, foi a guarida que deu ao conde Asturiano Gonçalo Pais que se revoltou contra Afonso VII e que havia sido banido da sua condição de vassalo.
  • De novo Afonso VII se vê na contingência de voltar ao Condado, ajustar contas com o seu primo desavindo,afinal o "espinho" encravado na sua coroa Imperial.
  • Daí resultará um encontro entre ambos em Tui, surpreendente na sua conclusão, como se verá

A protecção papal a Santa Cruz de Coimbra

A consolidação da vida regrante em Coimbra não foi fácil, atendendo ao que atrás se disse sobre as rivalidades com o bispo Bernardo.

Para escaparem ás suas manobras, os regrantes enviam a Roma uma delegação, para pedir a protecção do Papa Inocêncio II, não hesitando fazer uso dos meios materiais que possuíam.

Inocêncio II estava em Pisa, impedido de regressar a Roma pelo cisma de Anacleto*, são recebidos por Guido de Vico, cardeal que conhecia os assuntos da Península Ibérica e que assumiria ainda papel de muito relevo em muitas querelas que por aí se passavam.

Obtiveram o que pretendiam, a concessão de bulas em que o Papa recomendou os cónego regrantes de Santa Cruz, ao príncipe D.Afonso e ao próprio bispo, concedendo-lhes a protecção papal e a isenção canónica, que mais tarde viram a ser ainda mais desenvolvidas no pontificado de Alexandre III.

A delegação ao papa, teria seria composta no mínimo por 4 pessoas, onde se destacavam o arcediago Telo, o impulsionador da ideia da fundação do Mosteiro e João Peculiar, antigo mestre-escola da Catedral de Coimbra.

Sempre aplicaram bem as receitas que obtinham estes cónegos de Santa Cruz.

Esta deslocação (sabe se lá se teriam "oleado bem as influências"), foi dinheiro bem aplicado.

Muitas viagens aos locais certos, chamar-se-ia hoje fazer lobbying.Compostela, Burgos, Avinhão, sempre presente nos locais certos


*-Breve nota sobre o Cisma de Anacleto
Em 1130, quando são eleitos dois papas para suceder a Honório II: Inocêncio II (apoiado pelo imperador) e Anacleto I (pelos duques adversários do Império).

É o cisma de Anacleto. Na disputa entre os dois, o duque normando Rogério II obtém do antipapa Anacleto a coroa da Sicília e, em troca, combate Inocêncio II, que derrota, aprisiona e obriga a também reconhecê-lo como rei.

Com a morte de Anacleto, Inocêncio II deixa a França onde se havia refugiado e retorna a Roma, onde convoca o Concílio Ecuménico II de Latrão.

É 1139. Dois anos antes, os príncipes e prelados alemães haviam elogiado Conrado de Hohenstaufen, Duque da Suábia, para assumir o trono do Império Romano-Germânico, dando início à dinastia dos Hohenstaufen, que governaria por mais de um século.


Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007

Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra


  • A petição da criação da ordem do Templo é enviada pelo Papa Honório II ao concílio de Troyes a pedido do patriarca de Jerusalém (Estevão), que foi aprovada no dia 14 de Janeiro de 1128 onde se aprovam as regras que deveriam seguir os pobres cavaleiros de Cristo.
  • A pronta adesão de D.Teresa á novidade trazida pela criação das ordens, que se reflectiu um várias doações e benesses, como a do Mosteiro de Leça do Balio aos Hospitalários, equivale ao igual entusiasmo com que D.Afonso Henriques encarou a fundação em Coimbra em 1131, de uma comunidade de cónegos regrantes de Santo Agostinho.
  • A protecção do infante, manifestou-se desde logo pela cedência do local, uma importante propriedade urbana junto aos muros da cidade no local onde estavam instalados os banhos reais(decerto construídos pelos muçulmanos).Depois pelo próprio financiamento das obras que duraram muitos anos, muito embora a vida comunitária no mosteiro, tivesse começado pouco menos de uma ano depois em 24 de Fevereiro de 1132.

  • Com todo o apoio "real", foi grande o desenvolvimento que estes cónegos regrantes de Santa Cruz alcançaram, desde o seu primeiro prior Teotónio. Fundaram várias albergarias, cultivando sobretudo a recepção a hospedes e peregrinos.

Brincando um pouco, direi que se dedicaram ao turismo,com a vantagem de se aproveitarem do privilégio de isenção canónica, para reservarem para si, todas as funções pastorais, nos territórios que foram adquirindo, fundando jurisdições que escapavam á influência do bispo, recebendo portanto todos os rendimentos canónicos.

Para além disso, procuravam completar o testemunho do exemplo, por meio duma vida austera, disciplinada e rigorosa, com a pregação da palavra de Deus e a prática de obras de misericórdia.

Do primitivo mosteiro românico nada resta. Sabemos que tinha uma só nave e uma alta torre na fachada, características das construções românicas agostinhas, mas nenhum elemento dessa campanha chegou até hoje. Na primeira metade do século XVI o Mosteiro foi integralmente reformado por ordem de D. Manuel, monarca que assumiu a tutela do cenóbio. Todo o complexo monástico, a igreja e os túmulos de D. Afonso Henriques e seu sucessor, D. Sancho I, foram reformulados e transferidos para a capela-mor em 1530, onde ainda hoje se encontram inseridos numa obra escultórica da autoria de Nicolau de Chanterenne.

Da grande reforma manuelina conduzida pelo arquitecto Boytac resta a configuração geral da igreja e a Sala do Capítulo, com as duas coberturas abatidas e nervuradas. Marco Pires continuou as obras, e a ele deve-se a conclusão da igreja, a Capela de São Miguel e o claustro do Silêncio(ver foto). O portal principal, executado entre 1522 e 1525, é a peça mais emblemática de todo o conjunto monástico, obra de Chanterenne que conjuga elementos manuelinos com outros de clara raiz renascentista.
(IPPAR)

Domingo, Fevereiro 18, 2007

Mudança da residência real para Coimbra(1131)


(mosteiro de Santa Cruz fundado em 1131)

Os autores que têm estudado o condado portucalense, consideram que os condes, viveram normalmente em Guimarães e o próprio príncipe também até 1131 e a partir desse ano em Coimbra.
A troca da residência real de Coimbra por Guimarães, tornou-se, talvez a mais transcendente de todas as suas decisões para a sobrevivência de Portugal como nação independente. Em primeiro lugar pela proximidade com o Mosteiro de Santa Cruz que exprime o seu vínculo com o poder divino de que o seu era emanação terrena, de acordo com a tradição medieval da altura. Em segundo lugar, mais importante ainda o afastamento da nobreza senhorial do Norte a quem afinal devia o poder, mas da qual não queria depender, mas que não deixou de retribuir generosamente, sancionando os seus poderes senhoriais através da concessão de cartas de couto, embora não o fazendo fora das suas regiões de origem.Até ao fim de século XII, não cria senhorios fora da zona entre os rios Minho e Vouga, apoiando-se num grupo social diferente, que viria a constituir o embrião de uma nobreza de serviço dócil e maleável. Em terceiro lugar ,a caracterização urbana de Coimbra, em oposição á ruralidade do Norte, em relação a especificidade da repartição do trabalho, convivência e uma mentalidade menos dependente das imposições da Natureza. Em quarto lugar, o facto de Coimbra estar mais perto da fronteira com o território islâmico, uma mais intensa e eficaz actividade guerreira. Os ataques que Coimbra estava sujeita impuseram a necessidade de alargar a cintura das fortalezas protectoras, ao mesmo tempo que alavancavam a partida para a conquista das fortalezas a Sul, Santarém e Lisboa Entre 1136 e 1147 construíram-se os castelos de defesa de Coimbra, de Soure, Pombal,Germanelo, Penela, Miranda do Corvo e Arouce. O estabelecimento de Afonso Henriques em Coimbra, abre o caminho para o alargamento do território, que por sua vez torna possível a sobrevivência de Portugal. Finalmente, a fixação em Coimbra, pô-lo em contacto com a tradição cultural moçárabe, que perseverava elementos importantes não só da civilização árabe, mas também do direito e da liturgia visigótica, em detrimento á tendência cultural dominante no Norte guerreiro, campestre e rude.

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Primeira incursão na Galiza(1130)

Um dos primeiros actos militares de D.Afonso Henriques, foi o ataque militar a terras galegas de Toronho e Límia.

Não devem atribuir-se a estas escaramuças, mais nenhum outro objectivo, que não o de um jovem príncipe feudal, pretender alargar os seus domínios em zonas fronteiriças galegas, que se traduziram em confrontações armadas, dirigidas pelo próprio infante.

Por essa altura, em terras galegas havia graves problemas entre a nobreza galega e entre alguns deles e o rei de Leão, os condes Pedro e Rodrigo Lara revoltaram-se abertamente contra o seu rei e D.Afonso Henrique terá querido contabilizar a seu favor, algumas forças de outro nobres da região

Tinha D.Afonso Henriques o objectivo de mostrar também, que tinha o direito de aceitar vassalos, mesmo em território considerado galego e que não necessitava para isso, do acordo de Afonso VII.

Não se tratavam de guerras nacionais entre estados diferentes, mas guerras feudais, motivadas por conflitos de vassalagem, de fidelidade e de soberania.

As suas tentativas agravaram quando mandou construir um castelo em Celmes, no território galego de Límia e o equipou com forte guarnição de nobres e de peões, com viveres suficientes, para aguentar um cerco.

Afonso VII reagiu, veio pessoalmente á Galiza e á frente do seu exército, cercou o castelo, venceu os seus defensores fez uma grande quantidade de prisioneiros e colocou nele os seus fiéis, recuperando assim a sua autoridade sobre aquela terra.

A construção de um castelo, foi afronta grave em sí mesmo, constituía um acto de soberania, só podendo ser feita a mando de um rei ou com sua autorização.

Por outro lado o galego conde de Límia, Rodrigo Pires Veloso,pelas boas relações, que se provou existirem com D.Afonso Henriques, quer antes quer depois deste acontecimento, terá consentido na construção do referido castelo.

Esta retaliação de Afonso VII terá acontecido pela primavera de 1130, claramente para demonstrar a sua soberania no território.mas também para mostrar que o conde de Límia lhe devia vassalagem a ele e não a D.Afonso Henriques. Não terá passado para além disso, porque a questão da revolta dos Laras ainda não estava resolvida.


Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

Primeiros passos do jovem príncipe

Relação com a nobreza

O papel da nobreza portuguesa está simbolicamente representada num relato da batalha de S.Mamede, inserido na Crónica Galego-Portuguesa, onde se conta que, D.Afonso Henriques derrotado num primeiro embate pelas tropas de Fernão Peres de Trava, foge do campo de batalha.Porém surge Soeiro Mendes, um dos senhores de Ribadouro, que o censura pelo acto, fá-lo regressar ao combate e ajuda-o a vencê-lo.

O verdadeiro significado deste trecho, é o facto de que Afonso Henriques, não teria sido rei se a nobreza portuguesa não lhe tivesse entregue o poder,daí a obrigação subsequente de os recompensar com dons e privilégios.

Note-se que a cena relatada do príncipe a fugir do campo de batalha pode não ser real. é muito provável tratar-se de uma lenda, mas revela a dependência, em que se encontrou os primeiros tempos do seu governo

Relação com o clero

Antes porém das primeiras benesses distribuídas pela nobreza. foi o clero o primeiro a ser contemplado.Como se o jovem governante desde logo se preocupasse em pedir a protecção divina.O principal e mais importante destinatário dessas benesses foi Paio Mendes, arcebispo de Braga, estabelecendo o contra-ponto, face ao apoio de Afonso VII a Compostela.

Obviamente que a importância de Braga não se comparava a Compostela, mas também aquele arcebispado de igual modo aspirava a idênticos sonhos de alargamento de influência

A atitude passiva de Afonso VII

A não reacção de Afonso VII perante o desenlace de S.Mamede , justifica-se muito simplesmente porque não era do seu interesse a unificação entre Galiza e Portugal, com pretensões autonómicas, conforme as aspirações de sua tia aliada aos Travas, reduzindo-se as possibilidades de reconstituição do reino do seu tio-avô Garcia, em segundo lugar terá esperado uma retaliação dos Travas e da nobreza galega essa sim que inexplicavelmente não aconteceu.

Uma outra razão plausível para o afastamento de Afonso VII das consequências da Batalha de S.Mamede é dos preparativos dos seu casamento com Berengária, filha do Conde de Barcelona, que se realizou em Saldaña em Novembro deste mesmo ano.

Domingo, Fevereiro 11, 2007

Batalha de S.Mamede-(1128)


24 de Junho é a data provável mas pode dizer-se para se ser mais rigoroso que terá acontecido até 3 de Agosto, porque no documento de doação do couto do Mosteiro do Pedroso (na foto), é declarado o infante Afonso princípe de todo o Portugal.

Vitória das forças aglutinadas da nobreza portucalense em torno de D.Afonso Henriques contra as de Fernão Peres de Trava, D.Teresa e do arcebispo de Compostela.

Contrariamente ao dito popular do "filho que bate na mãe", foram os cavaleiros fiéis a D.Teresa, vindos de Coimbra e de Viseu, que se dirigiram a Guimarães, para submeter D.Afonso Henriques. A batalha campal deu-se portanto perto daquele castelo.

Resultou dela a substituição dos detentores do poder no Condado, que escolheram o infante para seu chefe, recusando a aceitar a política que proclamava constituição de um reino que englobasse a Galiza e Portugal.

Pode pois considerar-se S.Mamede como a primeira pedra no edificar da independência de Portugal.

Uma tese, condenatória do jovem infante, pela sua atitude para com a mãe, após e Batalha de S.Mamede, aprisionando-a no castelo de Lanhoso, seria merecedora do "castigo divino" recebido anos mais tarde pelo seu próprio sofrimento após a derrota sofrida em Badajoz.

Sabe-se contudo por análise de documentos autênticos, que pouco tempo depois desta data já se encontravam ambos livres na Galiza.



Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Cerco a Guimarães(1127)


  • Um facto indiscutível é o de que a defesa de Guimarães, estava entregue ao jovem infante, como se prova pelas doações atribuídas a alguns nobres, por D.Afonso Henriques, como recompensa pelo serviços prestados na altura em defesa do Castelo.

  • Não deve porém confundir-se a importância do papel de D.Afonso Henriques neste cerco, com o do poder no Condado, que nessa data continuava a pertencer a sua mãe.

  • Se a acção de Afonso VII pretendia ser punitiva, contra sua tia desavinda e renitente em aceitar a sua autoridade, pode perguntar-se porque a não atacou em Coimbra, onde ela se havia refugiado ?

  • Não há resposta objectiva, apenas se pode divagar, tentando deduzir-se, que D.Teresa se afasta, para evitar o compromisso frontal e Afonso VII não a ataca porque isso significaria, ter que atravessar todo o condado para um eventual cerco a Coimbra.

  • Um historiador americano B.Reilly, encontrou um documento(em 1998) pelo qual D.Afonso Henriques, confirma 3 importantes diplomas de Afonso VII, em Santiago de Compostela, pouco tempo depois do cerco a Guimarães. O que significa que D.Afonso Henriques, terá acompanhado seu primo até á Galiza, após o cerco, o que leva a concluir, que ele terá cedido ás exigências de seu primo, que retira por completo a imagem, construída sobre o papel de Egas Moniz, aliás descrita por um seu familiar, bastante mais tarde, para enaltecer, por certo, os méritos da sua própria família.

  • As confirmações em documentos emitidos pelos senhores feudais, demonstravam, não só as relações familiares ou de poder partilhado ou não, pelos confirmantes, mas acima de tudo era demonstrativo de ligações de amizade, ou até de vassalagem e que afinal, prestigiavam o próprio rei .

  • A importância deste acontecimento, foi tornar o conflito pela independência do Condado, não só uma questão a ser discutida entre Afonso VII e D.Teresa, envolvendo nessa querela, afinal também a nobreza portucalense que nela havia participado e o infante D.Afonso.

  • Finalmente, a questão da independência do condado voltou a ser adiada, porque Afonso VII acabou por aceitar a vassalagem dada por quem não tinha competência para o fazer.
  • (Na foto imagem de Santiago de Compostela, dos dias de hoje)

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

Afonso VII-Rei de Leão e Castela

• Após a morte de Urraca em Março de 1126, Afonso Raimundes é coroado rei de Leão e Castela, não esquecendo que a Galiza fazia parte integrante do reino de Leão.

• As pretensões de Teresa e Fernão Peres, voltaram a ser reivindicadas, o que motivou um encontro com Afonso VII em Zamora, em Abril de 1127, estabelecendo um “acordo de paz por tempo determinado”, segundo o descrito pelas crónicas de então. Aceitando, adiar a discussão dos seus direito, para mais tarde.

• Fique claro, que as pretensões de D.Teresa , não passavam apenas pelo governo do Condado Portucalense, mas sim por esse condado, que a seus olhos era parte integrante da Galiza,por conseguinte envolvendo nas suas pretensões, a própria Galiza.

• Nunca a meus olhos, ficou claro se a sua pretensão era autonómica, em relação ao reino de Leão ou governo em nome de Afonso VII.Provavelmente nem essa pretensão independentista, foi abertamente abordada, mas tudo leva a crer que tenha existido no seu espírito, devido à sua condição de filha de Afonso VI

• A referida paz a prazo de Zamora em 1127, também convinha a Afonso VII, empenhado em recuperar a sua autoridade sobre cidades castelhanas ainda nas mãos dos Aragoneses.

• Uma vez alcançada a paz com o rei de Aragão, menos de 5 meses depois de Zamora e porque os Condes Portucalenses(em toda a documentação da época, sempre Teresa foi chamada de rainha), não haviam respeitado a paz estabelecida, procurando quezílias na região de Toronho.Tratou então Afonso VII de vir submeter pela força a sua rebelde tia.

Situa-se por certo nesta ocasião o cerco de Guimarães, que inspirou o episódio central do “feitos” de Egas Moniz. Existem indícios, que o episódio, da “entrega da família” a Afonso VII, para cumprimento da palavra dada, não foi realmente como ainda hoje se conta, como ilustração pedagógica.

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Afonso Henriques-Cavaleiro em Zamora(1125)


  • • A ideia que D.Afonso Henriques se tenha armado cavaleiro na Catedral de Zamora é falsa, que só foi mandada edificar mais tarde(1140-1170) pelo seu primo D.Afonso Raimundes já rei Afonso VII, a partir da igreja de São Salvador onde realmente D.Afonso Henrique se tornou cavaleiro.

  • • Não deve estranhar-se o facto de terem escolhido Zamora e não Braga ou Coimbra, porque Zamora pertencia aos domínios pessoais de D.Teresa, por dádiva da irmã.

  • • A ser assim deve concluir-se que o acto de investidura como cavaleiro, de D.Afonso Henriques teve o acordo dela e de Fernão Peres, eventualmente para apaziguar a oposição dos nobres portugueses.

  • • Tanto esta investidura como a de seu primo Afonso Raimundes um ano antes, têm um objectivo comum, afirmar direitos sucessórios, contra eventuais ameaças de descendência de D.Teresa e Fernão Peres, ou no outro caso de Urraca e Afonso I de Aragão.

  • Não há pois margem para pensar que este acto constitua uma manifestação de rebeldia do infante para com a sua mãe, por instigação dos barões revoltosos

Domingo, Janeiro 28, 2007

Alterações do cenário político


  • As questões relacionadas com a sucessão de Afonso VI, haviam criado duas facções os “pró-franceses” e os “tradicionalistas”, sendo Henrique naturalmente o chefe das pretensões dos primeiros.
  • Em Maio de 1112 morre o conde Henrique

  • Em Abril do ano seguinte o papa Pascoal II excomunga Urraca e Afonso de Aragão, por não terem cumprido a ordem de anulação do matrimónio, que Afonso VI havia determinado.

  • Deste conjunto de situações, surge relançada a candidatura de Afonso Raimundes á sucessão. Ao mesmo tempo que se intensificam cisões na nobreza galega, pelo domínio de influência no jovem infante.

  • Também no Condado se acentuam divergências entre a nobreza galega e portuguesa, com o crescente apoio de D.Teresa, as pretensões galegas, invertendo o sentido do posicionamento do falecido marido.

  • Essas divergências acentuam-se pelas rivalidades religiosas entre Braga e Compostela.

  • D.Teresa, sempre reivindicou o direito de herdar pelo menos uma parte do reino de seu pai. Talvez uma das razões do seu”casamento” com Fernão Peres de Trava, descendente de uma das famílias mais poderosas da Galiza.

  • Casamento “entre aspas” justifica-se pelo facto de não ser possível provar, se houve realmente casamento. Alguma documentação pelas referências que fazem a ambos pode indicar que sim. Porém a união de Teresa e Fernão pelo menos pela igreja não podia ser aceite, porque Fernão estava ainda ligado por um outro casamento anterior.

  • Além disso D.Teresa vivera antes com o irmão de Fernão, Bermudo Peres, que segundo o direito canónico conduzia a um impedimento grave, o incesto.

A educação de D.Afonso Henriques

  • Tradição antiga , atribui a função de educador a Egas Moniz, mas que não é possível ter prova inequívoca, existindo como possibilidade o seu irmão Ermigio, também da família Ribadouro
  • Um trovador de D.Afonso III, trineto de Egas Moniz. João Soares Coelho, terá contribuído para o empolamento da possibilidade Egas Moniz, como Aio.
  • Algumas “estórias”, vêem publicadas na Crónica de 1419. Numa delas relata-se um milagre, pois tendo Egas Moniz o menino Afonso à sua guarda, que havia nascido deformado nos membros inferiores, lhe apareceu a Virgem Maria, que lhe disse para procurar e desenterrar uma igreja que havia sido construida em sua honra. Levasse o menino ao altar e ele ficaria curado.Egas Moniz assim fez e Afonso Henriques curou-se.
  • Parece certo porém afirmar-se que Afonso Henriques terá vivido até aos 12/14 anos no seio da família Ribadouro
(Em tópico)

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Testamento de Afonso VI

Por sua morte havia decidido Afonso VI transmitir o trono a sua filha Urraca, viúva do conde Raimundo, impondo-lhe que se casasse com Afonso I de Aragão e que o herdeiro do trono haveria de ser um eventual filho que de ambos nascesse. Reservando a seu neto Afonso Raimundes, no caso de acontecer esse nascimento, apenas o título de Rei da Galiza.

Os antecedentes desta decisão foram contudo curiosos

Quando Afonso VI conquista Toledo em 1085, o alarme entre as restantes praças do El-Andalus instala-se, pelo que decidem pedir auxilio a Yusuf Ibn Tasufin, chefe dos almorávidas, do outro lado do estreito. Integralista radical do Islão, aceita o pedido de ajuda do rei de Sevilha Al-Mutamid, mas não gosta do relaxamento religioso que encontra nos preceitos doutrinais e a grande tolerância que detecta para com os cristãos e os judeus, voltando-se contra os que lhe haviam pedido ajuda.

Após a queda de Málaga e Granada, o rei de Sevilha pede a seu filho Al-Mamun que havia deixado na defesa de Córdova, que a defenda até ao limite, que considerava ser a última defesa de Sevilha.

Prevendo um fim fatal, Al-Mamun manda a sua mulher Zaida, para um outro castelo o de Almodóvar del Rio, que anteriormente havia fortificado.Como previsto,Córdova caiu em poder dos almorávidas em 26 de Março de 1091.

Consciente da perda de Cordova, Zaida a moura decide-se ir para o palácio de seu sogro em Sevilha, que por sua vez na perspectiva de igual desastre para Sevilha, decide que Zaida se vá refugiar na corte de Afonso VI, ao mesmo tempo que lhe entrega as praças de Uclés, Amasatrigo e Cuenca, como penhor de defesa e protecção na situação face aos almorávidas.

A polémica, se essa entrega significaria um dote para D.Afonso VI é colocada por alguns historiadores, para outros não é crível que assim fosse, por ser uma prática estranha aos muçulmanos a entrega de uma princesa, ou para outros o absurdo de tal facto, por ser ainda viva a 5ª mulher de D.Afonso VI, D.Constança.

A chegada a Toledo da jovem Zaida, atiçou o interesse de D.Afonso VI cinquentão e já veterano de 5 casamentos e dois concubinatos, para além das relações incestuosas com sua irmã Urraca. Não teria portanto interesse histórico de maior, mais uma relação extra matrimonial de Afonso VI, não fora o nascimento de um filho, Sancho de seu nome, para que o rei, que apenas tivera filhas, o tenha reconhecido como seu directo descendente, o que na prática daria vir a governar Castela, Leão, Galiza com Portugal e o resto dos condados.

Difícil constatar se teria casado com Zaida, com o intuito de legitimar a descendência de Sancho. De qualquer forma, Zaida morreu de parto e o rei quis que fosse sepultada no mesmo sítio que para si havia destinado, bem como para as suas rainhas e filhos o Mosteiro de Sahagún, onde se encontra hoje junto do rei e do filho Sancho, embora referenciada como Isabel e não Zaida, porque quando se baptizou em Burgos escolheu esse nome cristão, para simbolizar a sua renúncia ao islamismo.

Segundo Gonzalez Palencia escreve na sua História de la España Musulmana a corte de Afonso VI, parecia uma corte muçulmana

“sabios e literatos muslimes anadaban al lado del rey, la moneda se acuñaba en tipos semejantes a los arabes, los cristianos vestian a usanza mora y hasta los clérigos mozárabes de Toledo, hablaban familiarmente el arabe y conocian muy poco el latin, a juzgar por las anotaciones marginales de muchos de sus breviários”.

Que transformação pode operar uma jovem e bela moura num rei cinquentão e batido de muitas guerras e amores, ao ponto de provocar uma alteração deste tipo na corte de uma rei, como Afonso VI, sempre bem vista por Urbano II o papa pregador da ideia de cruzada, quer no Oriente quer na Península Ibérica.?

A ideia da sucessão varonil de Afonso IV, teve larga repercussão quer do ponto de vista político na Península Ibérica, pelas intenções sucessórias de Raimundo de Borgonha assente na sua aliança com D.Henrique do Condado Portucalense(já anteriormente referida), quer do ponto de vista religioso na esfera da Abadia de Cluny, suporte teórico do catolicismo e que se batia pelo abandono das práticas de adulteração dos princípios do cristianismo, ao verem desenhar-se a hipótese de um rei meio muçulmano, como seria Sancho, governar na Península. Só que morreu bem jovem apenas com 12 ou 13 anos, na sequência da batalhe de Úcles

Foram pois estes os condicionalismos que conduziram, ás decisões tomadas por Afonso VI, referidas no primeiro parágrafo

D.Afonso Henriques-Nascimento e ascendencia

  • Nascimento
  • Andávamos tão entretidos a tentar descobrir se D.Afonso havia nascido em Guimarães ou em Coimbra, quando o historiador medievalista Almeida Fernandes, vem afirmar que D.Afonso teria nascido em Viseu, por meados de Agosto de 1109. Já que D.Teresa, sua mãe, retomando hábitos de família, se deslocava imenso a Viseu.Se quanto ao ano de nascimento, poucas dúvidas lhe restam que tenha acontecido em 1109, então poder-se-á verificar por documentos autênticos, por ela outorgados que passou a maior parte desse ano em Viseu.
  • A confirmar-se esta data de nascimento de Afonso Henriques,então terá nascido um mês depois da morte do seu avô (29 de Julho)
  • Ascendência
  • A mãe Teresa filha bastarda de Afonso VI, casou com Henrique de Borgonha, de alta linhagem francesa, era bisneto do rei Roberto II,sendo neto do primeiro duque de Borgonha. Para mais D.Constança mulher de Afonso VI era irmã de seu pai,também Henrique de seu nome.
  • Este pormenor contraria a ideia de que Henrique e Raimundo, teriam chegado à corte de Afonso VI ao mesmo tempo e que cada uma teria casodo com uma filha de Afonso.
  • Assim não foi Raimundo veio primeiro(1086), como já havia sido anteriormente referido, tendo casado com Urraca, a filha legítima e só mais tarde(1096) teria chegado Henrique. Se assim não fosse, naturalmente por ter linhagem superior a Raimundo, haveria de ter casado com a filha legítima e não com a outra

Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

Antecedentes e formação do Condado

  • Em 1086, devido ás boas relacções que D.Afonso VI rei de Leão e Castela tinha com Hugo o abade de Cluny, veio participar na luta pela reconquista cristâ na Peninsula Ibérica, o conde francês Raimundo de Borgonha.
  • Em 1092 Afonso VI, concede o governo da Galiza ao conde D.Raimundo, aliás já seu genro desde 1090, devido ao casamento deste com sua filha legítima D.Urraca. Medida que se entende como de aproximação da coroa aos domínios de leão-castela, dado que a relacção de suserania na Galiza, abria nova frente de luta, por razões de pretensões autonómicas como havia acontecido em 1087 com a revolta do conde galego Garcia Oveques.
  • Para se entender a razão da formação do Condado Portucalense, deve igualmente analisar-se a questão da volatilidade da posse do espaço físico do território, condicinado de acordo com as vitórias ou derrotas entre as forças cristâs e mouras.
  • Assim se em 1093 o rei de Badajoz se coloca sob a protecção de D.Afonso VI, entregando-lhe Santarém, Lisboa e Sintra, logo no ano seguinte esse territórios são perdido, correspondendo aliás a uma derrota militar de D.Raimundo junto a Lisboa.
  • Logo parece lógico que a D.Afonso VI se tenha colocado a questão de nova descentralização de poder, por forma a uma melhor consolidação dos territórios conquistados aos mouros e assim em 1096 concede a D.Henrique o governo do Condado Portucalense, consolidando o casamento realizado no ano anterior com sua filha ilegítima D.Teresa. Doação a título herditário, isto é sem restituição após a morte dos titulares. Sendo que nessa altura os limítes do Condado se confinavam a sul em Coimbra e a norte no Rio Minho.
  • Aspectos da governação co Conde D.Henrique entre 1096 e 1112
  • Em 1100 houve um recontro em Malagon entre o conde D.Henrique e os Almorávidas
  • Existem referências da presença do conde D.Henrique na Palestina entre 1103 e 1105 e em 1106 vivia na corte de Afonso VI alternando com estadias em Coimbra.
  • Entretanto seu primo Raimundo aspirava á sucessão da coroa de Afonso VI, mas a circunstância de Afonso VI ter entretanto tido um filho de nome Sancho da sua ligação com Zalila filha do rei de Sevilha, veio complicar a pretensão, pois Afonso VI considerava Sancho seu herdeiro, titulando-o como Princípe de Toledo.
  • Entre eles, tería havido um pacto pelo qual Henrique apoiaria Raimundo, na sucessão, incluíndo não só a repartição dos tesouros de Toledo, incluíndo a posse da cidade, para o Conde D.Henrique.
  • O plano caducou porém, porque Raimundo de Borgonha morre em 1107.
  • Em 1108 desmoronam-se as defesas do Tejo e as esperanças de Afonso VI, os seus exércitos são derrotados em Uclés, onde morre o seu filho e herdeiro putativo Sancho.

OBJECTIVOS



Gaibéu-Um trabalhador agrícola, que limpa a campina de galhos, ervas daninhas etc.preparando o terreno para a plantação.

Este povo, com rarissimas exepções passou a vida a apanhá-los, para outros fazerem a sementeira e pior que isso ficarem com a maioria de toda a colheita

O único objectivo deste blog, é a reunião de algumas notas, de simples amador do estudo da História de Portugal.

Recolha de notas extraídas de estudos produzidos, por muita gente competente,que não deixarei de mencionar.

Se acaso alguém pretender que sejam prestados esclarecimentos ou alguma ajuda, que resulte na melhor compreensão do que for publicando, farei o possível por corresponder ao solicitado na medida em que me for possível