Nesse tempo de sorriso,
nosso mundo tão preciso,
feito céu no paraíso;
seu abraço era carinho
meu marido em nosso ninho,
tudo em nós era improviso.
Vem o vento a separar,
minha vida a desfolhar,
quer meu corpo derrotar;
sou folha longe do lar,
sem teu colo pra me amar,
nem teu filho a me chamar.
Quando vens trazes calor,
por instantes dá-se amor,
mas logo tens que partir.
tu chegas pra me olhar,
e depois tens de voltar,
e a minha vida por cumprir
O outono então chegou
quando o amor se afastou,
e o meu mundo se quebrou;
sou folha sem direção,
presa à fria solidão,
que o destino me deixou.
E entre a vida e o fim,
há um sopro dentro de mim,
que não quer dizer que sim;
sou folha, mas ainda insisto,
num milagre nunca visto,
pra voltar ao meu jardim.
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